terça-feira, 28 de maio de 2024

 

Lipoproteínas

Por serem hidrofóbicos os lípides (colesterol, fosfolípides e triacilglicerois) são transportados no sangue e na linfa por lipoproteínas. Os ácidos graxos são transportados por uma proteína chamada de albumina.

As lipoproteínas são micelas ou podemos dizer que são complexos macromoleculares formados por lípides e proteínas; proteínas essas denominadas de apoproteínas. Têm formato esférico sendo sua parte externa formada por moléculas mais hidrofílica e na parte interna mais hidrifóbicas.


São classificadas em seis categorias de acordo com a densidade e tamanho em: Quilomícrons (QM); lipoproteínas de densidade muito baixa (VLDL); lipoproteínas de densidade intermediária (IDL); lpoproteínas de baixa densidade (LDL); lipoproteínas de alta densidade  (HDL) e lipoproteína azinho Lp (a). A densidade aumenta a medida em que o componente proteico aumenta. Asíntese pode ocorrer no fígado, intestino delgado e na corrente sanguínea, quando são produtos do metabolismo de outras lipoproteínas.

As QM são as maiores e menos densas de todas elas, transportam lípides de origem exógena (alimentos), são sintetizadas no intestino delgado e é composta predominantemente por lípides: triacilgliceróis (90%), em torno de oito (8) % é formada por colesterol e fosfolípides. Possuem um (1)  a dois( 2) % de proteínas: Apo CII, Apo B48 e Apo E. Como pode ser percebido, os lípides de origem alimentar são predominantemente triacilglicerois, desmitificando o fato da maioria das pessoas acharem que é colesterol. Essa lipoproteína é a única que transporta lípides de origem alimentar, as demais transportam os de origem endógena.

As VLDL são as segunda em tamanho e densidade, têm síntese hepática, são compostas predominantemente de lípides:  triacilgliceróis (55%), colesterol (20%)e fosfolípides (15%); em torno de 10% de proteínas: Apo CII, Apo B100 e Apo E. Elas sofrerão metabolismo na corrente sanguínea e darão origem as IDL e LDL.

As IDL são produzidas pelo metabolismo das VLDL na circulação. São encontrada no sangue em baixa concentração porque são novamente captadas pelo fígado ou transformadas em LDL.

As LDL são o produto final do metabolismo das VLDL na circulação sanguínea, são formadas principalmente por colesterol éster  (2/3 da massa de LDL ), colesterol livre (10%), fosfolípides (20%), triacilglicerol (10%) e 25% de proteínas ( Apo B 100). Como pode ser percebido, elas transportam principalmente o colesterol que vieram do fígado, já que são originadas das VLDL. São importantes para a distribuição do colesterol para todos os tecidos para que seja matéria prima para hormônios, constituição das membranas celulares, vitamina D, mas quando as concentrações são superiores a desejada podem sofrer o processo de oxidação e passam a ser uma das responsáveis pelo desenvolvimento do processo de aterosclerose. Por esse motivo é desejável manter uma proporção do colesterol total a mais baixa  possível na forma de LDL-colesterol.

 

As HDL são produzidas na corrente sanguínea a partir do colesterol não esterificado e dos fosfolipídes removidos dos tecidos periféricos e da superfície das proteínas ricas em triglicérides.  São constituídas por 50% de apoproteínas (AI em maior quantidade, AII, CI, CII, CIII, E e J), 20% de colesterol livre e de colesterol esterificado, 15% de fosfolípides e 5% de triacilglicerol. Ao contrário das LDL, que transportam o colesterol do fígado para o restante do organismo, as HDL o transportam de volta para o fígado, onde será degradado a ácidos biliares. A HDL pode inibir a oxidação da LDL devido ao seu conteúdo de antioxidante (α-tocoferol, licopeno, estrógenos) e  a presença de paraoxonase, uma enzima que catalisa a quebra de fosfolipídios oxidados na LDL; induzem a produção de óxido nítrico (NO) por ativarem NO sintase, levando assim ao vasorrelaxamento; estimulam a produção de Prostaciclina também chamada de PGI2, produzida nas células endoteliais por ação das ciclooxigenases (COX-2), que tem atividade vaso relaxante, inibe a ativação plaquetária e diminui a liberação de fatores de crescimento que agem estimulando a proliferação local das células musculares lisas; inibem a agregação plaquetária. Por todos esses fatores são lipoproteínas consideradas antiaterogênicas portanto, é desejável manter uma proporção do colesterol total a mais alta possível na forma de HDL-colesterol.

Não podemos esquecer que o colesterol é necessário para o funcionamento do nosso corpo (assunto em uma outra postagem) e a diferença do aumento da proporção da sua concentração sanguínea ser mais benéfica ou maléfica para o corpo está na partícula responsável pelo seu transporte.

As Lp (a) são produzidas no fígado, as concentrações sanguíneas são determinadas geneticamente. Composição:  27% de proteína, 65% de lipídios e 8% de carboidratos. Assim como as LDL são consideradas aterogênicas.

Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos

Referência

CAMPBELL, Mary K.; FARRELL, Shawn O. Bioquimica. São Paulo: Thomson Learning, tradução da 5ª edição, 2007.

HARVEY, Richard A.; FERRIER, Denise R. Bioquímica ilustrada. PA: Artmed, 2012.


sexta-feira, 3 de maio de 2024

 

Lípides, lipídios ou lipídeos

 


Grupo  de substâncias químicas que são caracterizadas pela sua natureza hidrofóbica, solubilidade nos solventes orgânicos e pela capacidade de  se agregarem formando micelas. São ácidos carboxílicos,  álcoois ou derivados da reação de esterificação que se dá por meio  de ácidos e álcoois produzindo ésteres. Como exemplo de lípides temos os ácidos graxos, os fosfolípides, o colesterol e os triacilglicerois.

Os ácidos graxos são ácidos carboxílicos de cadeia alifática podendo essa ser linear ou ramificada. Se têm apenas ligações simples são denominados de saturados se possuem também ligações duplas são insaturados. Os ácidos graxos saturados por possuírem elevado ponto de fusão (passagem do estado sólido para o líquido) têm consistência mais sólida à temperatura ambiente enquanto que os insaturados é o inverso, ou seja, têm baixo ponto de fusão e por isso são mais líquidos a temperatura ambiente. Se possuem uma dupla ligação são monoinsaturados e se possuem duas ou mais duplas ligações são ditos poli-insaturados. Quanto mais insaturações mais líquido é o ácido graxo, como  exemplo de lípides ricos em ácidos graxos insaturados temos os óleos.

A nomenclatura dos ácidos graxos saturados  pode ser realizada levando-se em consideração o número de átomos carbono ou a nomenclatura sistemática que utiliza o nome do hidrocarboneto correspondente seguido do sufixo oico ou o que é chamada de trivial que utiliza um nome descritivo para os ácidos graxos.

Exemplos de nomenclatura

O CH3CH2CH2COOH pelo número de átomos carbono é o 4:0  já que tem 4 carbonos e nenhuma dupla ligação; seu nome sistemático é o ácido butanoico; o trivial é o ácido butírico.

O CH3CH2CH2CH2CH2CH2CH2CH2CH2COOH pelo número de átomos carbono é o 10:0; seu nome sistemático é o ácido decanoico;  o trivial é o ácido cáprico.

A numeração dos carbonos dos ácidos graxos saturados é feita a partir da carboxila (carbono C1).

 A nomenclatura dos ácidos graxos insaturados  pode ser realizada levando-se em consideração o número de átomos carbono; a nomenclatura sistemática que utiliza a palavra ácido, a posição da dupla ligação contada a partir da carboxila; o nome do hidrocarboneto correspondente seguido do sufixo oico; a nomenclatura trivial que utiliza um nome descritivo para os ácidos graxos.

 Exemplo de nomenclatura

O CH3CH2CH2CH2CH2CH2CHCHCH2CH2CH2CH2CH2CH2CH2COOH pelo número de átomos carbono é o 16:1 já que tem 16 carbonos e uma dupla ligação; seu nome sistemático é o ácido 9-hexadecanoico;  o trivial é o ácido palmitoleico.

A numeração dos carbonos dos ácidos graxos insaturados pode ser feita pelo sistema delta ou ômega.

Pelo sistema delta a numeração dos carbonos dos ácidos graxos insaturados é feita a partir da carboxila (COOH)e esse carbono para a ser o carbono C1 e as duplas ligações são designadas de forma subscrita na letra grega delta (Δ), sendo necessário separá-las por vírgula quando for poli-insaturado.

Exemplos de numeração pelo sistema delta

O ácido palmitoleico você já sabe a formula então a numeração é

C16    16:1 Δ9

O ácido linoleico a numeração é

C18    18:2 Δ9,12

O ácido linoleico você já sabe  a numeração então a fórmula é...

 Pelo sistema ômega a numeração dos carbonos dos ácidos graxos insaturados é feita a partir do metil terminal (CH3) que é então o carbono C1; as duplas ligações são designadas após os dois pontos do número de carbono, seguido da letra n, traço e número do carbono que contém a primeira dupla ligação.

O ácido linoleico a numeração é

C18    18:2n-6

Pelo sistema ômega os ácidos graxos insaturados são agrupados a partir da numeração da primeira dupla ligação, lembrando que contada a partir do metil.

Exemplos de ômega 6: ácido linoleico e araquidônico


Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos

Referência

HARVEY, Richard A.; FERRIER, Denise R. Bioquímica ilustrada. PA: Artmed, 2012.

LEHNINGER, Albert Lester; NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de bioquímica de Lehninger. PA: Artmed, 2011/2014.


Imagem

Disponível em https://br.freepik.com/fotos-gratis/diferentes-vegetais-e-nozes-na-mesa-vista-de-cima-plana_13807389.htm#query=lipideos&position=6&from_view=keyword&track=sph&uuid=cd326563-42e7-4c43-a9b1-6301a53d7049. Acessada em 05 de maio de 2024

segunda-feira, 15 de abril de 2024

 Cetogênese


Cetogênese é a produção de corpos cetônicos (acetoacetato, b-hidroxibutirato e acetona) que ocorre nas mitocôndrias do fígado, tendo como substrato a acetil-CoA que é produzida durante a b-oxidação (via metabólica dos ácidos graxos). 

Após a síntese, o fígado exporta os corpos cetônicos para o sangue, são facilmente transportados pela corrente sanguínea porque são hidrossolúveis. São os combustíveis preferenciais dos tecidos extra-hepáticos durante o período em que não há facilidade da disposição dos carboidratos como fonte de energia para as células. É uma via metabólica dos lípides que pode ocorrer durante o período de jejum prolongado ou uso de dieta com baixo teor de carboidratos, inanição,  na diabetes melito descompensada. 

A presença de corpos cetônicos na corrente sanguínea é denominada de cetonemia. Quando a quantidade de corpos cetônico na corrente sanguínea excede as concentrações consideradas normais e ultrapassa o aproveitamento pelos tecidos extra-hepáticos  ocorre a cetose. 

Na cetose,  os corpos cetônicos em concentração elevada superam a capacidade tamponante do sangue, leva a uma cetoacidose isto é, diminuição do pH sanguíneo e também cetonúria. 

Cetonúria é o  aparecimento de corpos cetônicos na urina. O aparecimento de corpos cetônicos na urina é uma indicação do metabolismo ativo das gorduras.

Clinicamente a cetoacidose pode ser  caracterizada pelo hálito cetônico, dor abdominal, vômito, desidratação. O estágio mais grave é caracterizado por depressão do nível de consciência (confusão mental, torpor, coma).

Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos


Referência

Baynes, J W; Dominiczak, MH. Bioquímica Médica. Tradução da  2ª Edição. Elsevier, Rio de Janeiro 2002.

Machado, U F. Transportadores de Glicose. Arq Bras Endocrinol Metab vol 42 n° 6, Dezembro de 1998. Disponível em https://www.scielo.br/j/abem/a/5LzBWQgnRNgjmfTmYnHtJgB/?format=pdf&lang=ptAcessado em 21 de março de 2024.

 Machado, UF; Schaan BD;  Seraphim, PM.Transportadores de glicose na síndrome metabólica. Arq Bras Endocrinol Metab vol 50 n° 2, Abril de 2006. Disponível em Disponível em https://www.scielo.br/j/abem/a/R9hVfvrF4ZhXymckcPHwfpp/?format=pdf&lang=ptAcessado em 21 de março de 2024.





segunda-feira, 8 de abril de 2024

 

Índice Glicêmico




O índice glicêmico (IG) corresponde a classificação de um alimento em relação ao efeito que ele tem sobre a elevação da glicemia.  Podemos simplificar dizendo que é o impacto da velocidade de absorção de uma alimento, que contem carboidrato, tem sobre a concentração da glicose sanguínea, quando comparado a um alimento de referência que contem 25 g ou 50 g de glicose. O pão branco e a solução de glicose podem ser usados como alimento de referência, mas como pode haver variação na composição do pão o mais recomendado é a solução de glicose.

 Para fazer essa comparação é preciso que seja realizada uma curva glicêmica (sangue coletado a cada 30 minutos durante duas horas) e as duas  áreas  sobre a curva são comparadas. Quanto mais rápida for a absorção do carboidrato, maior a elevação da glicemia, maior será a área sob a curva. A glicemia apresentada pelo alimento padrão é considerada que tem um IG de 100 %.

Os alimentos podem ser divididos em alimentos de baixo IG ( 55% ), moderado IG (56-69 %) e de elevado IG (70-100 %).

Exemplos de alimentos e seus IG em comparação com a glicose:

250 ml de leite contendo 20,8 % de carboidrato tem IG de 12%

30 g de pão francês contendo 31,2% de carboidrato tem IG de 83%

120 g de banana contendo 41,7% de carboidrato tem IG de 48%


Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos

Referências

Carvalho GQ; Alfenas RCG. Índice glicêmico: uma abordagem crítica acerca de sua utilização na prevenção e no tratamento de fatores de risco cardiovasculares. Re. Nutr., 21 (5): 577-587, 2008. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rn/a/BpnCZS365x8YjdHM7kyF3NH/?format=pdf&lang=pt. Acessado em 08 de abril de 2024.

Silva FM et al. Papel do índice glicêmico e da carga glicêmica na prevenção e no .controle metabólico de pacientes com diabetes melito  tipo 2. Arq Bras Endocrinol Metab 53/5, 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abem/a/WTmpx45wK8qrY7hLJF4PTSx/?format=pdf&lang=pt.  Acessado em 08 de abril de 2024.

Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes Edição 2023. Terapia Nutricional no pré-diabetes e no diabetes mellitus tipo 2. Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br/terapia-nutricional-no-pre-diabetes-e-no-diabetes-mellitus-tipo-2/. Acessado em 08 de abril de 2024.

Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes Sociedade Brasileira de Diabetes 2019-2020. Disponível em: https://www.saude.ba.gov.br/wp-content/uploads/2020/02/Diretrizes-Sociedade-Brasileira-de-Diabetes-2019-2020.pdf. Acessado em 08 de abril de 2024.

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Disponível em: https://www.istockphoto.com/br/foto/alimentos-ricos-em-carboidratos-em-fundo-de-madeira-gm613046884-105734983?utm_source=pixabay&utm_medium=affiliate&utm_campaign=SRP_image_sponsored&utm_content=https%3A%2F%2Fpixabay.com%2Fpt%2Fimages%2Fsearch%2Fcarboidratos%2F&utm_term=carboidratos. Acessado em 08 de abril de 2024.

quarta-feira, 3 de abril de 2024

Fibras




 Você sabia que as fibras são carboidratos? Isso mesmo, as fibras são polímeros formadas por unidades monoméricas de carboidratos, não hidrolisáveis por enzimas endógenas do intestino delgado de humanos, portanto não digeríveis (veja postagem sobre digestão de carboidratos). Podem ser encontradas naturalmente nos alimentos, por isso é importante a ingestão de vegetais (frutas, hortaliças folhosas e tuberosas, feijões e cereais) ou sintetizadas nos processos industriais. 

Cotidianamente comemos arroz e produtos derivados da farinha do trigo e por isso é importante salientar que os cereais que são muito polidos, como o arroz branco e os grãos de trigo usados na produção da maioria das farinhas de trigo, têm menor quantidade de fibras. Sendo assim, versões menos processadas como o arroz integral e a farinha de trigo integral são mais recomendadas. O arroz parboilizado  é também uma boa opção por seu conteúdo nutricional estar mais próximo do arroz integral e por ter aroma, sabor e textura mais próxima do arroz branco. Dê preferência ao consumo de vegetais aos integrais industrializados.

Podem ser solúveis ou insolúveis. As solúveis dissolvem-se em água, formam  géis e  são fermentadas pelas bactérias do intestino grosso. Esse tipo de fibra por prolongar a digestão reduz o apetite, além disso reduz a absorção de nutrientes como lípides  e glicose. A fermentação fornece energia para a mucosa do cólon, atua na manutenção da integridade da barreira intestinal e regulação do sistema imune. As insolúveis não são solúveis em água, não formam géis, tendo assim fermentação limitada. Essas fibras têm ação laxativa, aumentam o volume fecal e o tempo de trânsito intestinal.

O consumo regular de fibra alimentar é utilizado na prevenção e no tratamento das doenças crônicas não transmissíveis , tais como, diabetes mellitus, doenças cardiovasculares, obesidade; auxilia na perda de peso; aumenta a saciedade; promove a redução de colesterolemia;  previne constipação intestinal.

Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos

Referências

Bernaud, FSR; Rodrigues, TC.  Fibra alimentar: ingestão adequada e efeitos sobre a saúde do metabolismo. Arq Bras Endocrinol Metab. 2013;57/6. Disponível em:

https://www.scielo.br/j/abem/a/PZdwfM5xZKG8BmB9YH59crf/?format=pdf&lang=pt. Acessado em 03 de abril de 2024.

Meira, RCF; Capitani, CD; Barros Filho AA et al. Contribuição dos diferentes alimentos segundo a classificação Nova para a ingestão de fibras alimentares em adolescentes. Ciência & Saúde Coletiva, 26(8):3147-3160, 2021. Disponível em: https://www.scielosp.org/pdf/csc/2021.v26n8/3147-3160/pt. Acessado em 03 de abril de 2024.

Ministério da Saúde. Guia Alimentar Para a População Brasileira. 2a ed. 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf. Acessado em 03 de abril de 2024.

 

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Disponível em: <a href="https://br.freepik.com/fotos-gratis/vista-superior-deliciosas-frutas-fatiadas-dentro-do-prato-com-frutas-frescas-na-fruta-escura-foto-exotica-arvore-madura-vida-saudavel_16388077.htm#page=9&query=frutas%20vegetais%20cereais&position=1&from_view=keyword&track=ais&uuid=b2516a45-ccff-4b90-b2fb-41fca7e8fe2d">Imagem de KamranAydinov</a> no Freepik. Acessado em 03 de abril de 2024.

sexta-feira, 22 de março de 2024

 Diabetes Melito ou Mellitus

Definição: grupo heterogêneo de distúrbios metabólicos que apresentam em comum a hiperglicemia que é resultante dos defeitos na ação  insulina, na secreção da insulina ou em ambos.

Classificação: é baseada na etiologia.


DM1: pouca ou nenhuma capacidade de secreção de insulina, geralmente tem início precoce (criança, adolescente ou adulto jovem) está relacionada com auto-imunidade, mas pode ser idiopática. Tem baixo risco de transmissão familiar.

Probabilidades de hereditariedade:

0,4% ( sem história familiar)

1 a 4%, se a mãe for diabética DM 1

3 a 8%, se o pai for DM1

2 a 6%, se um dos irmãos tiver DM1

30%, se ambos os pais tiverem a doença

30% se um irmão gêmeo univitelino for DM1

DM2: suas fases são baseadas na disglicemia variando de resistência insulínica, pré diabetes, DM2 até a DM2 com complicações vasculares instalada, portanto a hiperglicemia vai variar de leve até muito elevada.  É a forma de diabetes melito  mais prevalente, geralmente se desenvolve em adulto e se torna mais comum com o passar da idade. Tem causa complexa, é poligênica, 75% das pessoas têm histórico familiar e o estilo de vida também está envolvido.

Diabetes melito tipo Mody (maturity-onset type diabetes of childhood or of young): caracterizada por hiperglicemia leve, a idade de diagnóstico é precoce (infância, adolescência ou adultos jovem), monogênica, transmitida por herança autossômica dominante. Testes genéticos podem identificar a maioria das formas dessa diabetes monogênica (ex: mutação dos genes que  codificam a enzima glicoquinase).

 

Sinais clínicos clássicos da hiperglicemia: perda de peso, poliúria e polidipsia.

Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos

Referências

American Association Of Clinical Endocrinologists And American College Of Endocrinology. Consensus statement by the american association of clinical endocrinologists and american college of endocrinology on the comprehensive type 2 diabetes management algorithm – 2020 executive summary. ENDOCRINE PRACTICE Vol 26 No. 1 January 2020. Disponível em: https://www.endocrinepractice.org/action/showPdf?pii=S1530-891X%2820%2935066-7; Acessado em 23 de março de 2024

Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes - EDIÇÃO 2023. . Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br/classificacao-do-diabetes/. Acessado em 23 de março de 2024

Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes Sociedade Brasileira de Diabetes 2019-2020. Disponível em: https://www.saude.ba.gov.br/wp-content/uploads/2020/02/Diretrizes-Sociedade-Brasileira-de-Diabetes-2019-2020.pdf. Acessado em 23 de março de 2024

Sociedade Brasileira de Diabetes. Posicionamento Oficial SBD nº 06/2019 abordagem da pessoa jovem com diabetes 2019/2020. Disponível em: https://profissional.diabetes.org.br/wp-content/uploads/2021/06/Posicionamento_Jovem19_12474v8_brMAR.pdf.  Acessado em 23 de março de 2024


quinta-feira, 21 de março de 2024

 

Carboidratos: transportadores intracelular de glicose

 Para entender o transporte intracelular de qualquer molécula é preciso relembrar a estrutura e papel da membrana celular. A membrana celular é uma fina película composta de lipídios e proteínas, incluído glicolipidios e glicoproteínas. Não é rígida ou impermeável, mas móvel e dinâmica. Além de ser responsável pela integridade estrutural da célula exerce também a função de barreira (controle do que entra e sai da célula). A composição química é importante para a  função de controle do fluxo de solvente e soluto específicos em quantidades necessárias ao metabolismo das células. Portanto, a membrana citoplasmática tem  permeabilidade seletiva ou semipermeabilidade. Moléculas pequenas apolares (como O2 e CO2) e aquelas polares não carregadas (como ureia e etanol) passam através da membrana por difusão simples, ou seja, sem a necessidade de um transportador (proteínas de membrana). O Transporte de moléculas maiores e polares como aminoácidos e açúcares precisa do envolvimento das proteínas de membrana que funcionam como carreadoras ou transportadoras. As proteínas transportadoras são específicas e agem por dois mecanismo: transporte simples do tipo difusão facilitada ou transporte ativo. A difusão facilitada permite o transporte através da membrana saindo de um meio de maior concentração molecular na direção de um de menor concentração, sendo assim um transporte que não há consumo de Adenosina Trifosfato (ATP).

Os transportadores de glicose ou GLUT são proteínas membranares, de aproximadamente 500 aminoácidos, que permitem o fluxo intracelular de glicose, por difusão facilitada, e que são órgão específicos, ou seja determinados tipo só é encontrado em determinado órgão e sua função pode ser dependente ou não da ação da insulina. São  uma super família de facilitadores de transporte membranar diferenciados pelo número (exemplo GLUT1, GLUT 2, GLUT 4 e GLUT 17). 

O GLUT 4 tem a sua função regulada pela insulina, está presente no tecido muscular e adiposo. Na célula em repouso localiza-se principalmente no compartimento intracelular (vesícula) e a ligação da insulina ao seu recepetor na membrana celular é que determina a movimentação do GLUT4 deste compartimento, e sua translocação em direção à membrana plasmática aumentando assim  a captação de glicose, participando de forma importante no controle da homeostase glicêmica em nível tecidual e plasmático . Esse mecanismo torna a captação de glicose em músculo e tecido adiposo dependente da transmissão do sinal insulínico. Os demais GLUT são proteínas já presentes na membrana celular e não dependem do estímulo insulínico.

Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos

Referências

Baynes, J W; Dominiczak, MH. Bioquímica Médica. Tradução da  2ª Edição. Elsevier, Rio de Janeiro 2002.

Machado, U F. Transportadores de Glicose. Arq Bras Endocrinol Metab vol 42 n° 6, Dezembro de 1998. Disponível em https://www.scielo.br/j/abem/a/5LzBWQgnRNgjmfTmYnHtJgB/?format=pdf&lang=pt. Acessado em 21 de março de 2024.

 Machado, UF; Schaan BD;  Seraphim, PM.Transportadores de glicose na síndrome metabólica. Arq Bras Endocrinol Metab vol 50 n° 2, Abril de 2006. Disponível em Disponível em https://www.scielo.br/j/abem/a/R9hVfvrF4ZhXymckcPHwfpp/?format=pdf&lang=pt. Acessado em 21 de março de 2024.


segunda-feira, 18 de março de 2024

 

CARBOIDRATOS: DIGESTÃO



Para melhor compreender o processo de digestão de qualquer alimento é necessário relembrar conceitos básicos. Ingestão é a entrada do alimento no organismo; digestão é o conjunto de transformação sofrida pelo alimento seja mecânica ou química (transforma os alimentos em moléculas, sendo as enzimas as principais catalizadoras desse processo); absorção é passagem das moléculas para a corrente sanguínea; distribuição é oferta das moléculas às células.

É preciso lembrar que o amido é a principal forma de carboidrato presente nos alimentos. Além disso temos a frutose, lactose e sacarose. Exemplos de alimentos que contêm carboidratos: arroz; pão; pizza; tubérculos como batata e beterraba; macarrão, frutas como melão,  melancia;  mel; xarope de milho; açúcar da cana de açúcar; chocolate;  leite e derivados.

A digestão mecânica dos alimentos tem início na boca e é realizada pelos dentes, transformando-os em menores pedaços. A digestão química dos carboidratos tem início na boca pela ação da enzima chamada alfa-amilase ou amilase salivar que é produzida pelas glândulas salivares. Essa enzima catalisa a hidrólise de carboidratos que possuem ligação glicosídica do tipo alfa-1,4. Lembrando que o amido, um polissacarídeo, possui ligação glicosídica tanto do tipo alfa-1,4 quanto alfa-1,6. Portanto nessa etapa o amido será quebrado em moléculas podendo ser monossacarídeo (glicose) e oligossacarídeos (maltose, dextrina, dextrina limite) ou permanecer como polissacarídeo. Aproximadamente 5% da digestão ocorre na boca. Portanto, nessa etapa apenas ligação glicosídica  do tipo alfa-1,4 serão quebradas.

Pelo processo de deglutição, a digestão continua no estômago por meio da amilase salivar que veio da boca, mas lembrando que o pH muito baixo levará a inativação dessa enzima. Aproximadamente 20% a 40% dos carboidratos que vieram da boca é digerido pela alfa-amilase no estômago. Contrações das fibras musculares da parede estomacal ocasionará o processo digestivo mecânico (movimentos peristálticos, mistura as partículas dos alimentos com secreções gástricas e movimenta o carboidrato (quimo) para a parte inferior do estômago e da válvula pilórica. Logo, nessa etapa também apenas ligação glicosídica  do tipo alfa-1,4 serão quebradas.

No intestino os  movimentos peristálticos continuam movendo o quimo. Os carboidratos que não foram digeridos ou foram apenas parcialmente digeridos na boca e estômago serão digeridos no intestino. O pâncreas secreta a amilase pancreática no intestino delgado e essa enzima continua catalisando a hidrólise de ligação glicosídica do tipo alfa-1,4. As células intestinais produzem enzimas chamadas dextrinases que catalisam a hidrólise de ligação glicosídica do tipo alfa-1,6 e dissacaridases que catalisam a hidrólise de ligação glicosídica do tipo alfa-1,4 dos dissacarídeos. A hidrólise dos dissacarídeos irá produzir monossacarídeos glicose, galactose ou frutose, que é a forma de absorção dos carboidratos. Portanto, os carboidratos são absorvidos na forma de monossacarídeos. Aproximadamente 50 a 80% da digestão do amido ocorre no intestino (duodeno). Nessa etapa são hidrolisadas ligações glicosídicas tanto do tipo alfa-1,4 quanto alfa-1,6. Deficiência da lactase, dissacaridase responsável pela digestão da lactose,  leva a intolerância à lactose.

A celulose forma a parede celular dos vegetais, por isso é o carboidrato que tem mais abundancia na natureza. É um polímero de glicose formado por ligação glicosídica do tipo beta (até 15 mil resíduos de glicose). Ela um polissacarídeo resistente à catálise da hidrólise realizada pelas enzimas digestivas humanas, porque possuem ligação glicosídica do tipo beta,  porém uma parte é fermentada pelas bactérias intestinais. As fibras estão presentes na dieta através das folhas, sementes e cascas de frutas que são importantes para estimular a motilidade intestinal, contribuir com a consistência normal das fezes ( prevenindo diarreia e a constipação intestinal), eliminar o excesso de glicose e lípides. As fibras também possuem efeito bifidogênico, isto é, estimulam o crescimento das bifidobactérias que suprimem a atividade de outras bactérias, que são putrefativas e podem formar substâncias tóxicas.

 

Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos

Referência

Referência

CAMPBELL, Mary K.; FARRELL, Shawn O. Bioquimica. São Paulo: Thomson Learning, tradução da 5ª edição, 2007.

HARVEY, Richard A.; FERRIER, Denise R. Bioquímica ilustrada. PA: Artmed, 2012.

LEHNINGER, Albert Lester; NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de bioquímica de Lehninger. PA: Artmed, 2011/2014.

VOET, Donald; VOET, Judith G.; PRATT, Charlotte W. Fundamentos de bioquímica: a vida em nível molecular. PA: Artmed, 2008/2014.


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quinta-feira, 14 de março de 2024

 CARBOIDRATOS 


Oligossacarídeos e polissacarídeos

Os monossacarídeos (já falado em outra postagem) ao se unirem formam os oligossacarídeos e os polissacarídeos. Essa união se dá por meio da ligação glicosídica. 

A ligação glicosídica ocorre entre o carbono anomérico de um monossacarídeo e o carbono do monossacarídeo seguinte (4 ou 6), por meio de suas hidroxilas e com a saída de uma molécula de água.



O símbolo (1,4) indica que a ligação glicosídica liga o C1 de uma molécula de glicose ao C4 da molécula de glicose seguinte. 

A ligação glicosídica é reversível, a hidrólise restabelece a estrutura dos monossacarídeos que formaram essa ligação.

Oligossacarídeos são carboidratos formados pela união de duas até dez moléculas de monossacarídeos. Quando são formados de apenas dois monossacarídeos são denominados de dissacarídeos. São oligossacarídeos, do tipo dissacarídeos: a maltose, a sacarose e a lactose.



Polissacarídeos são carboidratos formados pela união de mais de dez moléculas de  monossacarídeos (polímeros), geralmente de hexoses. São insolúveis em água: não alteram o equilíbrio osmótico das células e se prestam muito bem à função de reserva de energia. De acordo com a função classificam-se em energéticos e estruturais. Energéticos: têm função de reserva. Exemplos: glicogênio  e amido (está presente nos vegetais). Tanto o amido quanto o glicogênio são formados pelo união de diversass moléculas de glicose, portanto, são polímeros de glicose. 

Glicogênio: polissacarídeo de reserva de  energia da célula animal. Constitui um polímero de aproximadamente 30.000 unidades de glicose. É sintetizado por uma via metabólica chamada de glicogênese que ocorre  no fígado e músculos.

Amido: polissacarídeo de reserva de energia da célula  vegetal. Geralmente encontrado em órgão de reserva nutritiva, como raízes do tipo tuberosa (mandioca, batata doce, cará), caules do tipo tubérculo (batatinha), frutos e sementes. Constitui um polímero de aproximadamente 1.700 unidades de glicose. Constitui-se  de dois tipos diferentes de polissacarídeos: amilose e amilopectina. A amilose tem  aproximadamente 300 unidades de glicose numa longa cadeia não ramificada (α-1,4). A amilopectina cé constituída de aproximadamente 1400  resíduos de glicose, cada ramificação ocorre a cada 48 a 60 unidades de glicose (α-1,4 e α-1,6).

Polissacarídeos estruturais: a celulose forma a parede celular dos vegetais, por isso é o carboidrato que tem mais abundancia na natureza. É um polímero de glicose formado por  ligação glicosídica (até15 mil resíduos de glicose) que conferem à molécula uma estrutura muito linear, que forma fibras insolúveis em água e não digeríveis pelo ser humano.


Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos


Referência

HARVEY, Richard A.; FERRIER, Denise R. Bioquímica ilustrada. PA: Artmed, 2012.

LEHNINGER, Albert Lester; NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de bioquímica de Lehninger. PA: Artmed, 2011/2014.










quinta-feira, 3 de agosto de 2023

storytelling - Cadeia de Transporte de Elétrons

 





































Autora: Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos
Imagens Mitchel: https://www.researchgate.net/figure/Peter-Mitchell-the-man-who-discovered-the-chemiosmotic-energy-transduction-mechanism_fig4_221716068
 https://www.researchgate.net/figure/Peter-Mitchell-in-the-1980s-From-the-archive-of-Glynn-photographs-held-at-the-Glynn_fig1_23310701

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Referências:

BURTIS, Carl A.; ASHWOOD, Edward R.; TIETZ, Norbert W.; BRUNS, David E. Tietz, Fundamentos de química clínica. RJ: Elsevier, 2008. 

CAMPBELL, Mary K.; FARRELL, Shawn O. Bioquímica. SP: Thomson Learning, 2007.  

HARVEY, Richard A. Bioquímica ilustrada. 5. PA: ArtMed 2015. (BV Pearson)

VOET, Donald; VOET, Judith G.; PRATT, Charlotte W. Fundamentos de bioquímica: a vida em nível molecular. PA: Artmed, 2008