quinta-feira, 21 de março de 2024

 

Carboidratos: transportadores intracelular de glicose

 Para entender o transporte intracelular de qualquer molécula é preciso relembrar a estrutura e papel da membrana celular. A membrana celular é uma fina película composta de lipídios e proteínas, incluído glicolipidios e glicoproteínas. Não é rígida ou impermeável, mas móvel e dinâmica. Além de ser responsável pela integridade estrutural da célula exerce também a função de barreira (controle do que entra e sai da célula). A composição química é importante para a  função de controle do fluxo de solvente e soluto específicos em quantidades necessárias ao metabolismo das células. Portanto, a membrana citoplasmática tem  permeabilidade seletiva ou semipermeabilidade. Moléculas pequenas apolares (como O2 e CO2) e aquelas polares não carregadas (como ureia e etanol) passam através da membrana por difusão simples, ou seja, sem a necessidade de um transportador (proteínas de membrana). O Transporte de moléculas maiores e polares como aminoácidos e açúcares precisa do envolvimento das proteínas de membrana que funcionam como carreadoras ou transportadoras. As proteínas transportadoras são específicas e agem por dois mecanismo: transporte simples do tipo difusão facilitada ou transporte ativo. A difusão facilitada permite o transporte através da membrana saindo de um meio de maior concentração molecular na direção de um de menor concentração, sendo assim um transporte que não há consumo de Adenosina Trifosfato (ATP).

Os transportadores de glicose ou GLUT são proteínas membranares, de aproximadamente 500 aminoácidos, que permitem o fluxo intracelular de glicose, por difusão facilitada, e que são órgão específicos, ou seja determinados tipo só é encontrado em determinado órgão e sua função pode ser dependente ou não da ação da insulina. São  uma super família de facilitadores de transporte membranar diferenciados pelo número (exemplo GLUT1, GLUT 2, GLUT 4 e GLUT 17). 

O GLUT 4 tem a sua função regulada pela insulina, está presente no tecido muscular e adiposo. Na célula em repouso localiza-se principalmente no compartimento intracelular (vesícula) e a ligação da insulina ao seu recepetor na membrana celular é que determina a movimentação do GLUT4 deste compartimento, e sua translocação em direção à membrana plasmática aumentando assim  a captação de glicose, participando de forma importante no controle da homeostase glicêmica em nível tecidual e plasmático . Esse mecanismo torna a captação de glicose em músculo e tecido adiposo dependente da transmissão do sinal insulínico. Os demais GLUT são proteínas já presentes na membrana celular e não dependem do estímulo insulínico.

Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos

Referências

Baynes, J W; Dominiczak, MH. Bioquímica Médica. Tradução da  2ª Edição. Elsevier, Rio de Janeiro 2002.

Machado, U F. Transportadores de Glicose. Arq Bras Endocrinol Metab vol 42 n° 6, Dezembro de 1998. Disponível em https://www.scielo.br/j/abem/a/5LzBWQgnRNgjmfTmYnHtJgB/?format=pdf&lang=pt. Acessado em 21 de março de 2024.

 Machado, UF; Schaan BD;  Seraphim, PM.Transportadores de glicose na síndrome metabólica. Arq Bras Endocrinol Metab vol 50 n° 2, Abril de 2006. Disponível em Disponível em https://www.scielo.br/j/abem/a/R9hVfvrF4ZhXymckcPHwfpp/?format=pdf&lang=pt. Acessado em 21 de março de 2024.


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