segunda-feira, 18 de março de 2024

 

CARBOIDRATOS: DIGESTÃO



Para melhor compreender o processo de digestão de qualquer alimento é necessário relembrar conceitos básicos. Ingestão é a entrada do alimento no organismo; digestão é o conjunto de transformação sofrida pelo alimento seja mecânica ou química (transforma os alimentos em moléculas, sendo as enzimas as principais catalizadoras desse processo); absorção é passagem das moléculas para a corrente sanguínea; distribuição é oferta das moléculas às células.

É preciso lembrar que o amido é a principal forma de carboidrato presente nos alimentos. Além disso temos a frutose, lactose e sacarose. Exemplos de alimentos que contêm carboidratos: arroz; pão; pizza; tubérculos como batata e beterraba; macarrão, frutas como melão,  melancia;  mel; xarope de milho; açúcar da cana de açúcar; chocolate;  leite e derivados.

A digestão mecânica dos alimentos tem início na boca e é realizada pelos dentes, transformando-os em menores pedaços. A digestão química dos carboidratos tem início na boca pela ação da enzima chamada alfa-amilase ou amilase salivar que é produzida pelas glândulas salivares. Essa enzima catalisa a hidrólise de carboidratos que possuem ligação glicosídica do tipo alfa-1,4. Lembrando que o amido, um polissacarídeo, possui ligação glicosídica tanto do tipo alfa-1,4 quanto alfa-1,6. Portanto nessa etapa o amido será quebrado em moléculas podendo ser monossacarídeo (glicose) e oligossacarídeos (maltose, dextrina, dextrina limite) ou permanecer como polissacarídeo. Aproximadamente 5% da digestão ocorre na boca. Portanto, nessa etapa apenas ligação glicosídica  do tipo alfa-1,4 serão quebradas.

Pelo processo de deglutição, a digestão continua no estômago por meio da amilase salivar que veio da boca, mas lembrando que o pH muito baixo levará a inativação dessa enzima. Aproximadamente 20% a 40% dos carboidratos que vieram da boca é digerido pela alfa-amilase no estômago. Contrações das fibras musculares da parede estomacal ocasionará o processo digestivo mecânico (movimentos peristálticos, mistura as partículas dos alimentos com secreções gástricas e movimenta o carboidrato (quimo) para a parte inferior do estômago e da válvula pilórica. Logo, nessa etapa também apenas ligação glicosídica  do tipo alfa-1,4 serão quebradas.

No intestino os  movimentos peristálticos continuam movendo o quimo. Os carboidratos que não foram digeridos ou foram apenas parcialmente digeridos na boca e estômago serão digeridos no intestino. O pâncreas secreta a amilase pancreática no intestino delgado e essa enzima continua catalisando a hidrólise de ligação glicosídica do tipo alfa-1,4. As células intestinais produzem enzimas chamadas dextrinases que catalisam a hidrólise de ligação glicosídica do tipo alfa-1,6 e dissacaridases que catalisam a hidrólise de ligação glicosídica do tipo alfa-1,4 dos dissacarídeos. A hidrólise dos dissacarídeos irá produzir monossacarídeos glicose, galactose ou frutose, que é a forma de absorção dos carboidratos. Portanto, os carboidratos são absorvidos na forma de monossacarídeos. Aproximadamente 50 a 80% da digestão do amido ocorre no intestino (duodeno). Nessa etapa são hidrolisadas ligações glicosídicas tanto do tipo alfa-1,4 quanto alfa-1,6. Deficiência da lactase, dissacaridase responsável pela digestão da lactose,  leva a intolerância à lactose.

A celulose forma a parede celular dos vegetais, por isso é o carboidrato que tem mais abundancia na natureza. É um polímero de glicose formado por ligação glicosídica do tipo beta (até 15 mil resíduos de glicose). Ela um polissacarídeo resistente à catálise da hidrólise realizada pelas enzimas digestivas humanas, porque possuem ligação glicosídica do tipo beta,  porém uma parte é fermentada pelas bactérias intestinais. As fibras estão presentes na dieta através das folhas, sementes e cascas de frutas que são importantes para estimular a motilidade intestinal, contribuir com a consistência normal das fezes ( prevenindo diarreia e a constipação intestinal), eliminar o excesso de glicose e lípides. As fibras também possuem efeito bifidogênico, isto é, estimulam o crescimento das bifidobactérias que suprimem a atividade de outras bactérias, que são putrefativas e podem formar substâncias tóxicas.

 

Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos

Referência

Referência

CAMPBELL, Mary K.; FARRELL, Shawn O. Bioquimica. São Paulo: Thomson Learning, tradução da 5ª edição, 2007.

HARVEY, Richard A.; FERRIER, Denise R. Bioquímica ilustrada. PA: Artmed, 2012.

LEHNINGER, Albert Lester; NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de bioquímica de Lehninger. PA: Artmed, 2011/2014.

VOET, Donald; VOET, Judith G.; PRATT, Charlotte W. Fundamentos de bioquímica: a vida em nível molecular. PA: Artmed, 2008/2014.


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