sexta-feira, 22 de março de 2024

 Diabetes Melito ou Mellitus

Definição: grupo heterogêneo de distúrbios metabólicos que apresentam em comum a hiperglicemia que é resultante dos defeitos na ação  insulina, na secreção da insulina ou em ambos.

Classificação: é baseada na etiologia.


DM1: pouca ou nenhuma capacidade de secreção de insulina, geralmente tem início precoce (criança, adolescente ou adulto jovem) está relacionada com auto-imunidade, mas pode ser idiopática. Tem baixo risco de transmissão familiar.

Probabilidades de hereditariedade:

0,4% ( sem história familiar)

1 a 4%, se a mãe for diabética DM 1

3 a 8%, se o pai for DM1

2 a 6%, se um dos irmãos tiver DM1

30%, se ambos os pais tiverem a doença

30% se um irmão gêmeo univitelino for DM1

DM2: suas fases são baseadas na disglicemia variando de resistência insulínica, pré diabetes, DM2 até a DM2 com complicações vasculares instalada, portanto a hiperglicemia vai variar de leve até muito elevada.  É a forma de diabetes melito  mais prevalente, geralmente se desenvolve em adulto e se torna mais comum com o passar da idade. Tem causa complexa, é poligênica, 75% das pessoas têm histórico familiar e o estilo de vida também está envolvido.

Diabetes melito tipo Mody (maturity-onset type diabetes of childhood or of young): caracterizada por hiperglicemia leve, a idade de diagnóstico é precoce (infância, adolescência ou adultos jovem), monogênica, transmitida por herança autossômica dominante. Testes genéticos podem identificar a maioria das formas dessa diabetes monogênica (ex: mutação dos genes que  codificam a enzima glicoquinase).

 

Sinais clínicos clássicos da hiperglicemia: perda de peso, poliúria e polidipsia.

Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos

Referências

American Association Of Clinical Endocrinologists And American College Of Endocrinology. Consensus statement by the american association of clinical endocrinologists and american college of endocrinology on the comprehensive type 2 diabetes management algorithm – 2020 executive summary. ENDOCRINE PRACTICE Vol 26 No. 1 January 2020. Disponível em: https://www.endocrinepractice.org/action/showPdf?pii=S1530-891X%2820%2935066-7; Acessado em 23 de março de 2024

Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes - EDIÇÃO 2023. . Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br/classificacao-do-diabetes/. Acessado em 23 de março de 2024

Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes Sociedade Brasileira de Diabetes 2019-2020. Disponível em: https://www.saude.ba.gov.br/wp-content/uploads/2020/02/Diretrizes-Sociedade-Brasileira-de-Diabetes-2019-2020.pdf. Acessado em 23 de março de 2024

Sociedade Brasileira de Diabetes. Posicionamento Oficial SBD nº 06/2019 abordagem da pessoa jovem com diabetes 2019/2020. Disponível em: https://profissional.diabetes.org.br/wp-content/uploads/2021/06/Posicionamento_Jovem19_12474v8_brMAR.pdf.  Acessado em 23 de março de 2024


quinta-feira, 21 de março de 2024

 

Carboidratos: transportadores intracelular de glicose

 Para entender o transporte intracelular de qualquer molécula é preciso relembrar a estrutura e papel da membrana celular. A membrana celular é uma fina película composta de lipídios e proteínas, incluído glicolipidios e glicoproteínas. Não é rígida ou impermeável, mas móvel e dinâmica. Além de ser responsável pela integridade estrutural da célula exerce também a função de barreira (controle do que entra e sai da célula). A composição química é importante para a  função de controle do fluxo de solvente e soluto específicos em quantidades necessárias ao metabolismo das células. Portanto, a membrana citoplasmática tem  permeabilidade seletiva ou semipermeabilidade. Moléculas pequenas apolares (como O2 e CO2) e aquelas polares não carregadas (como ureia e etanol) passam através da membrana por difusão simples, ou seja, sem a necessidade de um transportador (proteínas de membrana). O Transporte de moléculas maiores e polares como aminoácidos e açúcares precisa do envolvimento das proteínas de membrana que funcionam como carreadoras ou transportadoras. As proteínas transportadoras são específicas e agem por dois mecanismo: transporte simples do tipo difusão facilitada ou transporte ativo. A difusão facilitada permite o transporte através da membrana saindo de um meio de maior concentração molecular na direção de um de menor concentração, sendo assim um transporte que não há consumo de Adenosina Trifosfato (ATP).

Os transportadores de glicose ou GLUT são proteínas membranares, de aproximadamente 500 aminoácidos, que permitem o fluxo intracelular de glicose, por difusão facilitada, e que são órgão específicos, ou seja determinados tipo só é encontrado em determinado órgão e sua função pode ser dependente ou não da ação da insulina. São  uma super família de facilitadores de transporte membranar diferenciados pelo número (exemplo GLUT1, GLUT 2, GLUT 4 e GLUT 17). 

O GLUT 4 tem a sua função regulada pela insulina, está presente no tecido muscular e adiposo. Na célula em repouso localiza-se principalmente no compartimento intracelular (vesícula) e a ligação da insulina ao seu recepetor na membrana celular é que determina a movimentação do GLUT4 deste compartimento, e sua translocação em direção à membrana plasmática aumentando assim  a captação de glicose, participando de forma importante no controle da homeostase glicêmica em nível tecidual e plasmático . Esse mecanismo torna a captação de glicose em músculo e tecido adiposo dependente da transmissão do sinal insulínico. Os demais GLUT são proteínas já presentes na membrana celular e não dependem do estímulo insulínico.

Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos

Referências

Baynes, J W; Dominiczak, MH. Bioquímica Médica. Tradução da  2ª Edição. Elsevier, Rio de Janeiro 2002.

Machado, U F. Transportadores de Glicose. Arq Bras Endocrinol Metab vol 42 n° 6, Dezembro de 1998. Disponível em https://www.scielo.br/j/abem/a/5LzBWQgnRNgjmfTmYnHtJgB/?format=pdf&lang=pt. Acessado em 21 de março de 2024.

 Machado, UF; Schaan BD;  Seraphim, PM.Transportadores de glicose na síndrome metabólica. Arq Bras Endocrinol Metab vol 50 n° 2, Abril de 2006. Disponível em Disponível em https://www.scielo.br/j/abem/a/R9hVfvrF4ZhXymckcPHwfpp/?format=pdf&lang=pt. Acessado em 21 de março de 2024.


segunda-feira, 18 de março de 2024

 

CARBOIDRATOS: DIGESTÃO



Para melhor compreender o processo de digestão de qualquer alimento é necessário relembrar conceitos básicos. Ingestão é a entrada do alimento no organismo; digestão é o conjunto de transformação sofrida pelo alimento seja mecânica ou química (transforma os alimentos em moléculas, sendo as enzimas as principais catalizadoras desse processo); absorção é passagem das moléculas para a corrente sanguínea; distribuição é oferta das moléculas às células.

É preciso lembrar que o amido é a principal forma de carboidrato presente nos alimentos. Além disso temos a frutose, lactose e sacarose. Exemplos de alimentos que contêm carboidratos: arroz; pão; pizza; tubérculos como batata e beterraba; macarrão, frutas como melão,  melancia;  mel; xarope de milho; açúcar da cana de açúcar; chocolate;  leite e derivados.

A digestão mecânica dos alimentos tem início na boca e é realizada pelos dentes, transformando-os em menores pedaços. A digestão química dos carboidratos tem início na boca pela ação da enzima chamada alfa-amilase ou amilase salivar que é produzida pelas glândulas salivares. Essa enzima catalisa a hidrólise de carboidratos que possuem ligação glicosídica do tipo alfa-1,4. Lembrando que o amido, um polissacarídeo, possui ligação glicosídica tanto do tipo alfa-1,4 quanto alfa-1,6. Portanto nessa etapa o amido será quebrado em moléculas podendo ser monossacarídeo (glicose) e oligossacarídeos (maltose, dextrina, dextrina limite) ou permanecer como polissacarídeo. Aproximadamente 5% da digestão ocorre na boca. Portanto, nessa etapa apenas ligação glicosídica  do tipo alfa-1,4 serão quebradas.

Pelo processo de deglutição, a digestão continua no estômago por meio da amilase salivar que veio da boca, mas lembrando que o pH muito baixo levará a inativação dessa enzima. Aproximadamente 20% a 40% dos carboidratos que vieram da boca é digerido pela alfa-amilase no estômago. Contrações das fibras musculares da parede estomacal ocasionará o processo digestivo mecânico (movimentos peristálticos, mistura as partículas dos alimentos com secreções gástricas e movimenta o carboidrato (quimo) para a parte inferior do estômago e da válvula pilórica. Logo, nessa etapa também apenas ligação glicosídica  do tipo alfa-1,4 serão quebradas.

No intestino os  movimentos peristálticos continuam movendo o quimo. Os carboidratos que não foram digeridos ou foram apenas parcialmente digeridos na boca e estômago serão digeridos no intestino. O pâncreas secreta a amilase pancreática no intestino delgado e essa enzima continua catalisando a hidrólise de ligação glicosídica do tipo alfa-1,4. As células intestinais produzem enzimas chamadas dextrinases que catalisam a hidrólise de ligação glicosídica do tipo alfa-1,6 e dissacaridases que catalisam a hidrólise de ligação glicosídica do tipo alfa-1,4 dos dissacarídeos. A hidrólise dos dissacarídeos irá produzir monossacarídeos glicose, galactose ou frutose, que é a forma de absorção dos carboidratos. Portanto, os carboidratos são absorvidos na forma de monossacarídeos. Aproximadamente 50 a 80% da digestão do amido ocorre no intestino (duodeno). Nessa etapa são hidrolisadas ligações glicosídicas tanto do tipo alfa-1,4 quanto alfa-1,6. Deficiência da lactase, dissacaridase responsável pela digestão da lactose,  leva a intolerância à lactose.

A celulose forma a parede celular dos vegetais, por isso é o carboidrato que tem mais abundancia na natureza. É um polímero de glicose formado por ligação glicosídica do tipo beta (até 15 mil resíduos de glicose). Ela um polissacarídeo resistente à catálise da hidrólise realizada pelas enzimas digestivas humanas, porque possuem ligação glicosídica do tipo beta,  porém uma parte é fermentada pelas bactérias intestinais. As fibras estão presentes na dieta através das folhas, sementes e cascas de frutas que são importantes para estimular a motilidade intestinal, contribuir com a consistência normal das fezes ( prevenindo diarreia e a constipação intestinal), eliminar o excesso de glicose e lípides. As fibras também possuem efeito bifidogênico, isto é, estimulam o crescimento das bifidobactérias que suprimem a atividade de outras bactérias, que são putrefativas e podem formar substâncias tóxicas.

 

Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos

Referência

Referência

CAMPBELL, Mary K.; FARRELL, Shawn O. Bioquimica. São Paulo: Thomson Learning, tradução da 5ª edição, 2007.

HARVEY, Richard A.; FERRIER, Denise R. Bioquímica ilustrada. PA: Artmed, 2012.

LEHNINGER, Albert Lester; NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de bioquímica de Lehninger. PA: Artmed, 2011/2014.

VOET, Donald; VOET, Judith G.; PRATT, Charlotte W. Fundamentos de bioquímica: a vida em nível molecular. PA: Artmed, 2008/2014.


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quinta-feira, 14 de março de 2024

 CARBOIDRATOS 


Oligossacarídeos e polissacarídeos

Os monossacarídeos (já falado em outra postagem) ao se unirem formam os oligossacarídeos e os polissacarídeos. Essa união se dá por meio da ligação glicosídica. 

A ligação glicosídica ocorre entre o carbono anomérico de um monossacarídeo e o carbono do monossacarídeo seguinte (4 ou 6), por meio de suas hidroxilas e com a saída de uma molécula de água.



O símbolo (1,4) indica que a ligação glicosídica liga o C1 de uma molécula de glicose ao C4 da molécula de glicose seguinte. 

A ligação glicosídica é reversível, a hidrólise restabelece a estrutura dos monossacarídeos que formaram essa ligação.

Oligossacarídeos são carboidratos formados pela união de duas até dez moléculas de monossacarídeos. Quando são formados de apenas dois monossacarídeos são denominados de dissacarídeos. São oligossacarídeos, do tipo dissacarídeos: a maltose, a sacarose e a lactose.



Polissacarídeos são carboidratos formados pela união de mais de dez moléculas de  monossacarídeos (polímeros), geralmente de hexoses. São insolúveis em água: não alteram o equilíbrio osmótico das células e se prestam muito bem à função de reserva de energia. De acordo com a função classificam-se em energéticos e estruturais. Energéticos: têm função de reserva. Exemplos: glicogênio  e amido (está presente nos vegetais). Tanto o amido quanto o glicogênio são formados pelo união de diversass moléculas de glicose, portanto, são polímeros de glicose. 

Glicogênio: polissacarídeo de reserva de  energia da célula animal. Constitui um polímero de aproximadamente 30.000 unidades de glicose. É sintetizado por uma via metabólica chamada de glicogênese que ocorre  no fígado e músculos.

Amido: polissacarídeo de reserva de energia da célula  vegetal. Geralmente encontrado em órgão de reserva nutritiva, como raízes do tipo tuberosa (mandioca, batata doce, cará), caules do tipo tubérculo (batatinha), frutos e sementes. Constitui um polímero de aproximadamente 1.700 unidades de glicose. Constitui-se  de dois tipos diferentes de polissacarídeos: amilose e amilopectina. A amilose tem  aproximadamente 300 unidades de glicose numa longa cadeia não ramificada (α-1,4). A amilopectina cé constituída de aproximadamente 1400  resíduos de glicose, cada ramificação ocorre a cada 48 a 60 unidades de glicose (α-1,4 e α-1,6).

Polissacarídeos estruturais: a celulose forma a parede celular dos vegetais, por isso é o carboidrato que tem mais abundancia na natureza. É um polímero de glicose formado por  ligação glicosídica (até15 mil resíduos de glicose) que conferem à molécula uma estrutura muito linear, que forma fibras insolúveis em água e não digeríveis pelo ser humano.


Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos


Referência

HARVEY, Richard A.; FERRIER, Denise R. Bioquímica ilustrada. PA: Artmed, 2012.

LEHNINGER, Albert Lester; NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de bioquímica de Lehninger. PA: Artmed, 2011/2014.