terça-feira, 28 de maio de 2024

 

Lipoproteínas

Por serem hidrofóbicos os lípides (colesterol, fosfolípides e triacilglicerois) são transportados no sangue e na linfa por lipoproteínas. Os ácidos graxos são transportados por uma proteína chamada de albumina.

As lipoproteínas são micelas ou podemos dizer que são complexos macromoleculares formados por lípides e proteínas; proteínas essas denominadas de apoproteínas. Têm formato esférico sendo sua parte externa formada por moléculas mais hidrofílica e na parte interna mais hidrifóbicas.


São classificadas em seis categorias de acordo com a densidade e tamanho em: Quilomícrons (QM); lipoproteínas de densidade muito baixa (VLDL); lipoproteínas de densidade intermediária (IDL); lpoproteínas de baixa densidade (LDL); lipoproteínas de alta densidade  (HDL) e lipoproteína azinho Lp (a). A densidade aumenta a medida em que o componente proteico aumenta. Asíntese pode ocorrer no fígado, intestino delgado e na corrente sanguínea, quando são produtos do metabolismo de outras lipoproteínas.

As QM são as maiores e menos densas de todas elas, transportam lípides de origem exógena (alimentos), são sintetizadas no intestino delgado e é composta predominantemente por lípides: triacilgliceróis (90%), em torno de oito (8) % é formada por colesterol e fosfolípides. Possuem um (1)  a dois( 2) % de proteínas: Apo CII, Apo B48 e Apo E. Como pode ser percebido, os lípides de origem alimentar são predominantemente triacilglicerois, desmitificando o fato da maioria das pessoas acharem que é colesterol. Essa lipoproteína é a única que transporta lípides de origem alimentar, as demais transportam os de origem endógena.

As VLDL são as segunda em tamanho e densidade, têm síntese hepática, são compostas predominantemente de lípides:  triacilgliceróis (55%), colesterol (20%)e fosfolípides (15%); em torno de 10% de proteínas: Apo CII, Apo B100 e Apo E. Elas sofrerão metabolismo na corrente sanguínea e darão origem as IDL e LDL.

As IDL são produzidas pelo metabolismo das VLDL na circulação. São encontrada no sangue em baixa concentração porque são novamente captadas pelo fígado ou transformadas em LDL.

As LDL são o produto final do metabolismo das VLDL na circulação sanguínea, são formadas principalmente por colesterol éster  (2/3 da massa de LDL ), colesterol livre (10%), fosfolípides (20%), triacilglicerol (10%) e 25% de proteínas ( Apo B 100). Como pode ser percebido, elas transportam principalmente o colesterol que vieram do fígado, já que são originadas das VLDL. São importantes para a distribuição do colesterol para todos os tecidos para que seja matéria prima para hormônios, constituição das membranas celulares, vitamina D, mas quando as concentrações são superiores a desejada podem sofrer o processo de oxidação e passam a ser uma das responsáveis pelo desenvolvimento do processo de aterosclerose. Por esse motivo é desejável manter uma proporção do colesterol total a mais baixa  possível na forma de LDL-colesterol.

 

As HDL são produzidas na corrente sanguínea a partir do colesterol não esterificado e dos fosfolipídes removidos dos tecidos periféricos e da superfície das proteínas ricas em triglicérides.  São constituídas por 50% de apoproteínas (AI em maior quantidade, AII, CI, CII, CIII, E e J), 20% de colesterol livre e de colesterol esterificado, 15% de fosfolípides e 5% de triacilglicerol. Ao contrário das LDL, que transportam o colesterol do fígado para o restante do organismo, as HDL o transportam de volta para o fígado, onde será degradado a ácidos biliares. A HDL pode inibir a oxidação da LDL devido ao seu conteúdo de antioxidante (α-tocoferol, licopeno, estrógenos) e  a presença de paraoxonase, uma enzima que catalisa a quebra de fosfolipídios oxidados na LDL; induzem a produção de óxido nítrico (NO) por ativarem NO sintase, levando assim ao vasorrelaxamento; estimulam a produção de Prostaciclina também chamada de PGI2, produzida nas células endoteliais por ação das ciclooxigenases (COX-2), que tem atividade vaso relaxante, inibe a ativação plaquetária e diminui a liberação de fatores de crescimento que agem estimulando a proliferação local das células musculares lisas; inibem a agregação plaquetária. Por todos esses fatores são lipoproteínas consideradas antiaterogênicas portanto, é desejável manter uma proporção do colesterol total a mais alta possível na forma de HDL-colesterol.

Não podemos esquecer que o colesterol é necessário para o funcionamento do nosso corpo (assunto em uma outra postagem) e a diferença do aumento da proporção da sua concentração sanguínea ser mais benéfica ou maléfica para o corpo está na partícula responsável pelo seu transporte.

As Lp (a) são produzidas no fígado, as concentrações sanguíneas são determinadas geneticamente. Composição:  27% de proteína, 65% de lipídios e 8% de carboidratos. Assim como as LDL são consideradas aterogênicas.

Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos

Referência

CAMPBELL, Mary K.; FARRELL, Shawn O. Bioquimica. São Paulo: Thomson Learning, tradução da 5ª edição, 2007.

HARVEY, Richard A.; FERRIER, Denise R. Bioquímica ilustrada. PA: Artmed, 2012.


sexta-feira, 3 de maio de 2024

 

Lípides, lipídios ou lipídeos

 


Grupo  de substâncias químicas que são caracterizadas pela sua natureza hidrofóbica, solubilidade nos solventes orgânicos e pela capacidade de  se agregarem formando micelas. São ácidos carboxílicos,  álcoois ou derivados da reação de esterificação que se dá por meio  de ácidos e álcoois produzindo ésteres. Como exemplo de lípides temos os ácidos graxos, os fosfolípides, o colesterol e os triacilglicerois.

Os ácidos graxos são ácidos carboxílicos de cadeia alifática podendo essa ser linear ou ramificada. Se têm apenas ligações simples são denominados de saturados se possuem também ligações duplas são insaturados. Os ácidos graxos saturados por possuírem elevado ponto de fusão (passagem do estado sólido para o líquido) têm consistência mais sólida à temperatura ambiente enquanto que os insaturados é o inverso, ou seja, têm baixo ponto de fusão e por isso são mais líquidos a temperatura ambiente. Se possuem uma dupla ligação são monoinsaturados e se possuem duas ou mais duplas ligações são ditos poli-insaturados. Quanto mais insaturações mais líquido é o ácido graxo, como  exemplo de lípides ricos em ácidos graxos insaturados temos os óleos.

A nomenclatura dos ácidos graxos saturados  pode ser realizada levando-se em consideração o número de átomos carbono ou a nomenclatura sistemática que utiliza o nome do hidrocarboneto correspondente seguido do sufixo oico ou o que é chamada de trivial que utiliza um nome descritivo para os ácidos graxos.

Exemplos de nomenclatura

O CH3CH2CH2COOH pelo número de átomos carbono é o 4:0  já que tem 4 carbonos e nenhuma dupla ligação; seu nome sistemático é o ácido butanoico; o trivial é o ácido butírico.

O CH3CH2CH2CH2CH2CH2CH2CH2CH2COOH pelo número de átomos carbono é o 10:0; seu nome sistemático é o ácido decanoico;  o trivial é o ácido cáprico.

A numeração dos carbonos dos ácidos graxos saturados é feita a partir da carboxila (carbono C1).

 A nomenclatura dos ácidos graxos insaturados  pode ser realizada levando-se em consideração o número de átomos carbono; a nomenclatura sistemática que utiliza a palavra ácido, a posição da dupla ligação contada a partir da carboxila; o nome do hidrocarboneto correspondente seguido do sufixo oico; a nomenclatura trivial que utiliza um nome descritivo para os ácidos graxos.

 Exemplo de nomenclatura

O CH3CH2CH2CH2CH2CH2CHCHCH2CH2CH2CH2CH2CH2CH2COOH pelo número de átomos carbono é o 16:1 já que tem 16 carbonos e uma dupla ligação; seu nome sistemático é o ácido 9-hexadecanoico;  o trivial é o ácido palmitoleico.

A numeração dos carbonos dos ácidos graxos insaturados pode ser feita pelo sistema delta ou ômega.

Pelo sistema delta a numeração dos carbonos dos ácidos graxos insaturados é feita a partir da carboxila (COOH)e esse carbono para a ser o carbono C1 e as duplas ligações são designadas de forma subscrita na letra grega delta (Δ), sendo necessário separá-las por vírgula quando for poli-insaturado.

Exemplos de numeração pelo sistema delta

O ácido palmitoleico você já sabe a formula então a numeração é

C16    16:1 Δ9

O ácido linoleico a numeração é

C18    18:2 Δ9,12

O ácido linoleico você já sabe  a numeração então a fórmula é...

 Pelo sistema ômega a numeração dos carbonos dos ácidos graxos insaturados é feita a partir do metil terminal (CH3) que é então o carbono C1; as duplas ligações são designadas após os dois pontos do número de carbono, seguido da letra n, traço e número do carbono que contém a primeira dupla ligação.

O ácido linoleico a numeração é

C18    18:2n-6

Pelo sistema ômega os ácidos graxos insaturados são agrupados a partir da numeração da primeira dupla ligação, lembrando que contada a partir do metil.

Exemplos de ômega 6: ácido linoleico e araquidônico


Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos

Referência

HARVEY, Richard A.; FERRIER, Denise R. Bioquímica ilustrada. PA: Artmed, 2012.

LEHNINGER, Albert Lester; NELSON, David L.; COX, Michael M. Princípios de bioquímica de Lehninger. PA: Artmed, 2011/2014.


Imagem

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