Definição de taxa de filtração glomerular (TFG)
É a medida da depuração de uma substância que é filtrada livremente pelos
glomérulos e não sofre reabsorção ou secreção tubular, por isso é comumente
usada como a medida padrão da avaliação da função renal. É um indicador
importante para detecção, avaliação e tratamento da doença renal aguda (DRA) e crônica
(DRC).
Definição de clearance
O clearence renal, ou depuração
renal, é um exame laboratorial utilizado para avaliar TFG). É um método capaz de avaliar o volume plasmático em que uma substância é filtrada em um determinado
tempo (mL/min), depende da concentração sérica da substância, do
fluxo sanguíneo renal e da TFG.
Marcadores da taxa de filtração glomerular
Um marcador ideal para medir a
TFG deve ter uma produção endógena constante, ser livremente filtrado, não ser
reabsorvido e nem secretado pelos túbulos renais e não ser metabolizado ou
eliminada por vias extrarrenais.
Entre os marcadores comumente utilizados temos:
Ureia: apesar de ser utilizada até hoje na prática clínica, é
importante ressaltar sua inadequabilidade como teste de função renal, pois não
é produzida constantemente durante o dia e sua concentração sanguínea pode
variar com a ingestão proteica, sangramento gastrointestinal, função hepática e com o uso de
alguns medicamentos, como por exemplo, corticosteróides. Também é importante
lembrar que a ureia é parcialmente reabsorvida após o processo de filtração, e,
consequentemente, o cálculo da sua depuração subestima a TFG.
Creatinina: derivada principalmente do metabolismo da
creatina muscular, sua produção é relativamente constante, mas depende da massa muscular e também sofre secreção tubular. A determinação é simples, reproduzível
e realizada pela grande maioria dos laboratórios.
Fatores que influenciam a sua determinação laboratorial: uso de medicamentos que modificam as taxas de
secreção tubular de creatinina, alteração na ingestão hídrica, incompreensão das orientações laboratoriais para
a coleta (no caso do exame de urina em 24h), o sexo, a idade, a superfície corporal, a etnia e a massa muscular.
Formula do clearence de creatinina em
urina de 24 horas
Dcr= (Ucr x VM) /
Pcr
Dcr = depuração
da creatinina;
Ucr = níveis
urinários de creatinina (em mg/dL);
VM = volume de
urina colhido em 24 horas (em ml por minutos);
Pcr = creatinina plasmática
Filtração glomerular estimada (TGFe): as limitações do uso da
creatinina sanguínea e de sua depuração na avaliação clínica da função renal
levaram vários autores a propor diferentes fórmulas para a estimativa da FG.
Embora práticas, é importante reconhecer que estas fórmulas têm suas
limitações.
Fórmula de Cockcroft-Gault
Ccr (mL/min) = (140 – idade) x peso (kg) x (0,85 se for mulher)
72
x creatinina sérica (mg/dL)
Idade = anos
Peso = kg
Cálculo pelo link: http://arquivos.sbn.org.br/equacoes/eq1.htm
Valores de referência da creatinina sérica:
·
Recém-nascido: 0,3 a 1,0 mg/dL
·
Até 6 anos: 0,3 a 0,7 mg/dL
·
De 7 a 12 anos: 0,5 a 1,0 mg/dL
·
Maior de 12 anos do sexo masculino: 0,7 a 1,3
mg/dL
·
Maior de 12 anos do sexo feminino: 0,6 a 1,1
mg/dL
Valores de referência do clearance:
·
TFG normal: > 90 mL/min x 1,73m2 (estádio G1)
·
Redução discreta: 89-60 mL/min x 1,73m2 (estádio
G2)
·
Redução discreta-moderada: 59-45 mL/min x 1,73m2
(estádio G3a)
·
Redução moderada-severa: 44-30 mL/min x 1,73m2
(estádio G3b)
·
Redução severa: 29-15 mL/min x 1,73m2 (estádio
G4)
·
Falência renal: < 15 mL/min x 1,73m2 (estádio
G5)
Média aritmética das depurações de uréia e da creatinina: o uso da média aritmética das depurações de uréia e da creatinina
baseia-se nas observações de ser a primeira reabsorvida pelos túbulos renais
após ser filtrada e a outra secretada, situações antagônicas mais exacerbadas
no estágio 5 da DRC, quando a TFG encontra-se inferior a 15mL/min/1,73m2.O emprego da média aritmética das depurações
de uréia (que subestima a TFG) e da creatinina
(que superestima a TFG) tem sido sugerido
para compor o processo decisório de se iniciar a terapia renal substitutiva.
Relação ureia/creatinina: é útil particularmente quando se avalia
pacientes com quedas abruptas de TFG. Em condições normais, a relação ureia/creatinina
é em média de 30, mas este valor aumentará >40-50 quando, por exemplo,
ocorrer contração do volume extracelular. Qualquer condição clínica que
estimule a reabsorção tubular de sódio determinará um aumento da ureia
desproporcional ao da creatinina.
Cistatina C: A cistatina C é um inibidor de proteinase de baixo peso molecular (13,3 kDa), pertencente a superfamília das cistatinas, é produzida em todas as células nucleadas e o seu nível sanguíneo é constante e independe da massa muscular. Embora filtrada livremente através do glomérulo, semelhantemente a outras moléculas de baixo peso molecular, é reabsorvida e metabolizada nos túbulos proximais. Assim, a sua concentração sanguínea depende quase que inteiramente da TFG, não sendo afetada pela dieta, estado nutricional, inflamação ou doenças malignas. Adicionalmente, a menor variabilidade nas determinações sanguíneas da cistatina C, sua meia-vida mais curta e o seu menor volume de distribuição a tornam um marcador de função glomerular com maior sensibilidade para detectar diminuições leves da TFG na DRC do que a creatinina e outras moléculas de baixo peso molecular.
Importância da creatinina para o acompanhamento da PreP
O acompanhamento da creatinina durante a PreP é necessária devido ao compromisso renal do paciente, pois a emtricitabina e o tenofovir são eliminados por excreção renal, e nos indivíduos com disfunção renal, a exposição à emtricitabina e ao tenofovir está aumentada.
Se o fosfato sérico for < 1,5 mg/dl (0,48 mmol/l) ou a depuração da creatinina diminuir para valores
< 50 ml/min em qualquer doente tratado com Truvada, a função renal deve ser reavaliada dentro de
uma semana, incluindo a determinação das concentrações de glicose e potássio no sangue e da
glicose na urina). Deve considerar-se a interrupção do
tratamento com Truvada em doentes com diminuição da depuração da creatinina para valores
< 50 ml/min ou uma diminuição do fosfato sérico para níveis < 1,0 mg/dl (0,32 mmol/l). A interrupção
do tratamento com Truvada também deve ser considerada em caso de declínio progressivo da função
renal nos casos em que não foi identificada qualquer outra causa.
Autora: Giovanna Oliveira Favero.
Revisão: Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos.
Fontes consultadas:
Biomarcadores na Nefrologia (e-book) https://arquivos.sbn.org.br/pdf/biomarcadores.pdf
Passo a passo para a implantação da estimativa da taxa de filtração glomerular (eTFG) 2ª Edição - 2015 http://www.sbpc.org.br/upload/conteudo/padronizacao_eTFG_4nov2015.pdf
Taxa de filtração glomerular estimada em adultos: características e limitações das equações utilizadas http://sbac.org.br/rbac/wp-content/uploads/2016/05/ARTIGO-1_RBAC-48-1-2016-ref.-370-corr.pdf
ANEXO I RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO https://www.ema.europa.eu/en/documents/product-information/truvada-epar-product-information_pt.pdf
Passo a passo para a implantação da estimativa da taxa de filtração glomerular (eTFG) 2ª Edição - 2015 http://www.sbpc.org.br/upload/conteudo/padronizacao_eTFG_4nov2015.pdf
Taxa de filtração glomerular estimada em adultos: características e limitações das equações utilizadas http://sbac.org.br/rbac/wp-content/uploads/2016/05/ARTIGO-1_RBAC-48-1-2016-ref.-370-corr.pdf
ANEXO I RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO https://www.ema.europa.eu/en/documents/product-information/truvada-epar-product-information_pt.pdf