
UM ANO ROSA
“Outubro Rosa” é um
movimento popular que foi criado nos anos 90, nos Estados Unidos, mas reconhecido
internacionalmente, com o objetivo de propagar a importância da prevenção e
do diagnóstico precoce do câncer de mama. O nome remete à cor do laço rosa que
simboliza, mundialmente, a luta contra o câncer de mama
.
Porque
é tão importante prevenir
O câncer de mama é o tipo de neoplasia maligna mais
comum entre mulheres em todo o mundo e sua ocorrência varia amplamente entre regiões.
As populações que apresentam maior risco encontram-se na Europa Ocidental e nos
Estados Unidos, enquanto que populações asiáticas têm taxas quase cinco vezes. No
entanto, nas últimas décadas, no Japão, vem sendo observado aumento na
incidência bem como em outras regiões caracterizadas como de baixa ocorrência,
como China e Índia. Ao mesmo tempo em que a incidência tende, com algumas
exceções, a aumentar, a mortalidade, em países desenvolvidos (Estados Unidos,
Canadá, Reino Unido, Holanda, Dinamarca e Noruega), vem declinando em cortes
sucessivos de idade. Nos Estados Unidos, o decréscimo da mortalidade por câncer
de mama entre mulheres brancas parece estar relacionado à difusão da mamografia
e da utilização de terapias adjuvantes. Esses benefícios, todavia, não foram
observados entre mulheres negras, uma vez que entre essas a incidência e a
mortalidade continuam a aumentar.. Acredita-se que o pior prognóstico entre
mulheres negras possa ser explicado em parte, mas não totalmente, pelo estado
avançado em que as pacientes são diagnosticadas, o que teria relação com a
idade, o retardo de diagnóstico, o baixo nível sócio-econômico e a obesidade.
Já no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, esse tipo de câncer representa a primeira causa de óbito por câncer em mulheres, e os coeficientes de mortalidade padronizados por idade mostram tendência ascendente entre 1979 e 1999, de acordo com o Sistema de Informação do Câncer de Mama (SISMAMA- INCA), estima-se que a incidência deste tipo de câncer é, aproximadamente, 49 casos novos para 100 mil mulheres no ano de 2010. O câncer da mama ocupa o primeiro lugar em incidência nas regiões Nordeste, Sul e Sudoeste, na proporção de 22,84%, 24,14% e 23,83%, respectivamente; segundo dados do Pro/Onco - INCA em 1996. No Norte e Centro-Oeste, esta incidência é sobrepujada pelo câncer do colo do útero.
Podemos prevenir se conhecermos os fatores de riscos
Podemos prevenir se conhecermos os fatores de riscos
Os fatores de risco não são identificados
em 50% a 75% dos casos. A explicação está no fato de existir uma interação
entre os fatores descritos, a provável exposição a fatores ambientais
(incluindo aspectos do trabalho), uso de cosméticos e produtos domisanitários. Vários
fatores de risco têm sido estudados no intuito de que sejam estabelecidos
critérios que possam precisar, de forma mais objetiva, o prognóstico dos casos.
Apesar de ser raro o aparecimento da doença antes dos 35 anos – a grande parte
dos casos é diagnosticada após a menopausa – são nítidas as diferenças de
prognóstico em função da idade: mulheres jovens evoluem, em geral, pior quando
comparadas a mulheres mais idosas mesmo quando os dois grupos etários recebem
assistência semelhante. São considerados fatores de risco para o surgimento do
câncer de mama:
Histórico familiar, principalmente se
um ou mais parentes próximos foram acometidos antes do 50 anos de idade;
Aspectos hormonais que estão
intimamente ligados com estímulo do estrogênio seja ele endógeno ou exógeno;
mulheres com menarca precoce (menos que 12 anos); menopausa tardia (após os 50
anos), gravidez depois dos 30 anos de idade;
Outros fatores são apresentados na
tabela abaixo:
AGENTE
|
Agrotóxico, benzeno, campos eletromagnéticos de
baixa frequência, campos magnéticos, compostos orgânicos voláteis, hormônios,
dioxinas.
|
OCUPAÇÃO
|
Cabeleireiro, operador de rádio e telefone,
enfermeiro e auxiliar de enfermagem, comissário de bordo, trabalho noturno.
|
ATIVIDADE ECONÔMICA
|
Indústrias: borracha e plástico, química,
refinaria de petróleo, manufatura de PVC.
|
Fonte: INCA, 2012.
Câncer
de mama nem sempre é igual
Sob a denominação de câncer da mama estão incluídos
tumores de diferentes características histopatológicas, responsividade
endócrina (receptores hormonais de estrogênio e progesterona) e fatores
moleculares específicos reguladores do crescimento tumoral (oncogenes e genes
supressores tumorais).
Como
pode surgir o câncer de mama
Considerada multifatorial, estima-se que 5% dos
casos de câncer de mama são associados a fatores hereditários e acometem com
mais agressividade mulheres jovens, com menos de 45 anos. São considerados dois
genes BRCA 1, detectado nos linfócitos periféricos e o BRCA 2, que também está
envolvido com cânceres de mama em pessoas do sexo masculino. Em outros 95% dos
casos, os fatores envolvidos não são hereditários e podem estar associados à
produção de hormônios e utilização de hormônios exógenos e também a causas
ambientais (fatores externos) como consumo de cigarro e bebidas alcoólicas.
Quais
os sinais clínicos que podem aparecer
O sinal mais comum é o aparecimento de um nódulo ou
endurecimento, com característica de não desaparecer e de não mudar de aspecto
quando apalpado. Outros sinais são: edema (inchaço), ruga (retração da pele), abaulamento
de uma parte da mama, eritema (vermelhidão), feridas na pele (ulceração), sangramento
pelo mamilo e desvio do mamilo e alteração da aréola.
Diagnóstico precoce é a
chave do sucesso
O diagnóstico baseia-se na anamnese (conversa
inicial com o médico), em busca de algum fator de risco, e também de exame
clínico geral em busca de alguma patologia associada ou concomitante. No exame físico
da mama, durante inspeção estática e dinâmica é possível observar a superfície
cutânea e a presença de abaulamentos ou retrações. Quanto à palpação, na
presença de lesão nodular pode-se avaliar a consistência, mobilidade e a
relação com tecidos adjacentes (infiltração ou lesão bem delimitada). Além da
mamografia, serão solicitados outros exames de imagem, como o ultrassom e a ressonância
magnética da mama. Estes exames não substituem a mamografia, apenas auxiliam na
descoberta da doença. A radiografia de tórax, ultrassonografia de abdome, cintilografia
óssea e ecografia, bem como exames de sangue que verifiquem a função do fígado,
serão necessárias para avaliação de estadiamento, ou seja, ver a progressão da
doença no corpo. Porém, a certeza do diagnóstico será obtida por meio das
punções percutâneas com agulhas finas ou grossas (mamotomia ou core biopsy),
nos casos de microcalcificações, nódulos subclínicos e palpáveis para
realização de biópsias. Testes de receptores hormonais, estrógeno e progesterona,
podem ser solicitados, caso o câncer seja diagnosticado durante a biópsia.
Estes testes revelam se os hormônios podem ou não estimular o crescimento do
câncer. Com esta informação, o médico pode decidir se é ou não aconselhável a
indicação de um tratamento à base de hormônios. Esses testes são feitos no
tumor e a amostra é colhida durante a biópsia.Caso a biópsia detecte um tumor
maligno, outros testes laboratoriais serão feitos no tecido para que mais dados
sejam obtidos a respeito das características do tumor.
Importância
do autoexame
|
A melhor maneira de a mulher descobrir um
nódulo em sua mama é perdendo alguns minutos e conhecendo as suas próprias
mamas, examinando-as mensalmente no sentido de encontrar qualquer
anormalidade, onde as mulheres acima de 20 anos deveriam examinar suas
mamas pelo menos uma vez ao mês. Como
fazer o auto-exame:
1.Deite-se e coloque um travesseiro sob seu
ombro direito. Coloque seu braço direito atrás da cabeça;
2.Use a ponta dos três dedos médios de sua mão
esquerda para sentir nódulos ou endurecimentos na sua mama direita. Pressione
bastante para um contato melhor com a sua mama, observando sua forma, sua
densidade e possíveis abaulamentos;
3.Faça um movimento em torno da mama num mesmo
sentido ou no sentido de "vai-e-vem", ou em cunha. Siga a mesma
rota cada vez. Certifique-se de que examinou toda a mama, e lembre-se dos
detalhes para cada mês;
4.Agora examine sua mama esquerda, usando a
ponta dos dedos médios da mão direita, repetindo o que fez com a mão
esquerda no exame anterior
Diversos tratamentos |
São várias as modalidades de tratamento do câncer
em seus aspectos tumorais, que incluem a cirurgia, a quimioterapia, a
radioterapia, a hormonioterapia, a imunoterapia e a reabilitação.
Cirurgias Conservadoras: tumorectomia (exérese do
tumor sem margens); Ressecção segmentar ou setorectomia(exérese do tumor com
margens).
Cirurgias Não conservadoras: adenomastectomia
subcutânea ou mastectomia, subcutânea (retirada da glândula mamária,
preservando-se pele e complexo aréolo-papilar); Mastectomia simples ou total
(retirada da mama com pele e complexo aréolo-papilar); Mastectomia com
preservação de um ou dois músculos peitorais com linfadenectomia axilar
(radical modificada); Mastectomia com retirada do(s) músculo(s) peitoral(is)
com linfadenectomia axilar (radical).
Radioterapia: após cirurgia conservadora, deve-se
irradiar toda a mama das pacientes submetidas a esse tipo de cirurgia,
independente do tipo histológico, idade, uso de quimioterapia e/ou
hormonioterapia e mesmo com margens cirúrgicas livres de comprometimento
neoplásico.
Quimioterapia neoadjuvante: o objetivo dessa
terapeutica é reduzir o volume tumoral tornando tumores irressecáveis em
ressecáveis, e/ou possibilitando a cirurgia conservadora nos tumores
inicialmente candidatos à mastectomia radical. O esquema quimioterápico
utilizado deve ser baseado em regimes contendo antraciclinas (Doxorrubicina ou
Epirrubicina) associadas a Taxanes (AT) ou ciclofosfamida e Fluorouracil (FAC,
FEC, AC) administrando-se de 3 a 4 ciclos de acordo com a resposta. A resposta
à quimioterapia neoadjuvante é um fator preditivo de sobrevida livre de doença
e sobrevida global.
Hormonioterapia adjuvante: a hormonioterapia
adjuvante com Tamoxifeno 20 mg/dia por 5 anos deve ser empregada em todas as
pacientes com receptor hormonal positivo, sendo o benefício observado nas
pacientes na pré ou pós-menopausa.
Geralmente, o tratamento do requer a combinação de
mais de um método terapêutico, o que aumenta a possibilidade de cura, diminui
as perdas anatômicas, preserva a estética e a função dos órgãos comprometidos.
Essas modalidades de tratamento são bastante eficazes, uma vez que são capazes
de controlar o tumor primário e suas complicações. No entanto, o planejamento
terapêutico do paciente com câncer deve incluir um conjunto de cuidados, dos
quais a conduta clínica e/ou cirúrgica é apenas uma parte. Assim, a
"reabilitação tem como principal objetivo a melhoria da qualidade de vida
do indivíduo. Deve procurar atender às necessidades específicas de cada
paciente, com medidas que visem à restauração anatômica e funcional, ao suporte
físico e psicológico e à paliação de sintomas" .
E o
que o futuro pode reservar
Depende da extensão da doença, chamado de
estadiamento. Quando diagnosticado e tratado oportunamente, o prognóstico é
relativamente favorável e promove elevados percentuais de cura. As metástases
são comuns, ocorrendo com maior frequência nos linfonodos axilares e linfonodos
do tórax e tem como objetivo do tratamento a melhora da qualidade de vida e
prolongamento da sobrevida do paciente. A sobrevida é de cinco anos em
aproximadamente 50% dos casos. O número de mortes no Brasil ainda é muito alto,
se comparado com a população mundial, provavelmente por ser diagnosticado
tardiamente, em estágios já avançados.
Porque
um ano rosa
Se a campanha do outubro rosa já presta um grande serviço
para a sociedade conscientizando da importância do diagnóstico precoce dessa
doença para que ela deixe de ser a primeira
causa de óbito por câncer em mulheres imagine se lembramos disso o ano todo.
Autoras: alunas do 4° período do Curso de Farmácia (Uniso)
Améris Letícia Foramiglio
Améris Letícia Foramiglio
Débora Alves
Francine Cristiane Lopes
Marina de Campos
Juliana Nardes dos Santos
Revisão: Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos
Imagens:
Símbolo da campanha: previlab.com.br
Autoexame (adaptado):http://www.medimagemrio.com.br/clientes/artigo/autoexame-das-mamas-info
Imagens:
Símbolo da campanha: previlab.com.br
Autoexame (adaptado):http://www.medimagemrio.com.br/clientes/artigo/autoexame-das-mamas-info
REFERÊNCIAS
BARROS, A. et
al. Diagnóstico e tratamento do câncer de mama. São Paulo: Associação Médica
Brasileira/Brasília: Conselho Federal de Medicina, 2001.
BRAUD, A.C. et al. Neoadjuvant chemotherapy
in young breast cancer patients: correlation between response and relapse? European
Journal of Cancer, vol. 35, pp. 392-397, 1999.
DAVIM, R. M. B. et al. Auto-exame
de mama: conhecimento de usuárias atendidas no ambulatório de uma maternidade
escola. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 2003. Disponível em: .
Acesso em 30 out. 2013
GRAY, J; NUDELMAN, J; ENGEL, C. State of the
evidence: the connection between breast cancer and the environment. 6 ed. San
Francisco, Breast Cancer Fund, 2010.
HOSPITAL DO CÂNCER DE MAMA. Diagnóstico
do Câncer de Mama. Hcancerbarretos. Disponível em
.
Acesso em 26 out. 2013.
HUNTER, C.P., REDMONDE, C.K., CHEN,
V.W. Breast cancer: factors associated with stage
at diagnosis in black and white women. Journal of the National Cancer
Institute, vol. 85, pp. 1129-1137, 1993.
INSTITUTO BRASILEIRO DE CONTROLE
DO CÂNCER. Mastologia - Câncer de mama. Ibcc. Disponível em
.
Acesso em 26 out. 2013
INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER.
Programa Nacional de Controle do Câncer de Mama. Inca. Disponível em:
. Acesso
em 26 out. 2013.
INSTITUTO ONCOLOGIA. Sinais e
sintomas do câncer de mama. Oncoguia. Disponível
em: <http://www.oncoguia.org.br/conteudo/sinais-e-sintomas-do-cancer-de-mama/1383/34/>.
Acesso em 26 out. 2013.
LICHTENSTEIN, P et al. Environmental and heritable factors in
the causation of cancer – analyses of cohorts of twins from Sweden, Denmark and
Finland. The New England Journal of Medicine, vol. 343, pp. 78-85, 2000.
MENDONÇA, G. A. S.; SILVA, A. M.; CAULA, W. M. Características
tumorais e sobrevida de cinco anos em pacientes com câncer de mama admitidas no
Instituto Nacional de Câncer, Rio de Janeiro, Brasil. Caderno de Saúde Pública
[online], vol.20, n.5, pp. 1232-1239, 2004.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Instituto Nacional de Câncer José
Alencar Gomes da Silva (INCA). Diretrizes para a vigilância do câncer
relacionado ao trabalho. Rio de Janeiro, 2012.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Instituto Nacional de Câncer. Atlas de
mortalidade por câncer no Brasil 1979-1999. Rio de Janeiro, 2002.
PARKIN, D. M.; BRAY, F.I.; DEVESA, S.S. Cancer burden in the
year 2000. The global picture. European Journal of Cancer, vol. 37, p. 4-66,
2001.
ROSSI, L.;
SANTOS, M. A. D. Repercussões psicológicas do adoecimento e tratamento em mulheres
acometidas pelo câncer de mama. Psicologia: ciência e profissão, v. 23, p.
32-41, 2003.
SISMAMA, Sistema de Informação do Câncer de Mama. Disponível
em: .
Acesso em 23 out. 2013.
SNEDEKER, S.M. Chemical exposures in the workplace: effect on
breast cancer risk among women. American Association of Occupational Health
Nurses Journa, 6 ed., vol. 54, pp. 270-279, 2006.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE
CANCEROLOGIA. Câncer de mama. Sbancer. Disponível em: <http://www.sbcancer.org.br/home2/site/index.php?option=com_content&view=article&id=110:cancer-de-mama&catid=29&Itemid=123>.
Acesso em 26 out. 2013.

