quarta-feira, 6 de novembro de 2013


                  UM ANO ROSA

Outubro Rosa” é um movimento popular que foi criado nos anos 90, nos Estados Unidos, mas reconhecido internacionalmente, com o objetivo de propagar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. O nome remete à cor do laço rosa que simboliza, mundialmente, a luta contra o câncer de mama
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Porque é tão importante prevenir
O câncer de mama é o tipo de neoplasia maligna mais comum entre mulheres em todo o mundo e sua ocorrência varia amplamente entre regiões. As populações que apresentam maior risco encontram-se na Europa Ocidental e nos Estados Unidos, enquanto que populações asiáticas têm taxas quase cinco vezes. No entanto, nas últimas décadas, no Japão, vem sendo observado aumento na incidência bem como em outras regiões caracterizadas como de baixa ocorrência, como China e Índia. Ao mesmo tempo em que a incidência tende, com algumas exceções, a aumentar, a mortalidade, em países desenvolvidos (Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Holanda, Dinamarca e Noruega), vem declinando em cortes sucessivos de idade. Nos Estados Unidos, o decréscimo da mortalidade por câncer de mama entre mulheres brancas parece estar relacionado à difusão da mamografia e da utilização de terapias adjuvantes. Esses benefícios, todavia, não foram observados entre mulheres negras, uma vez que entre essas a incidência e a mortalidade continuam a aumentar.. Acredita-se que o pior prognóstico entre mulheres negras possa ser explicado em parte, mas não totalmente, pelo estado avançado em que as pacientes são diagnosticadas, o que teria relação com a idade, o retardo de diagnóstico, o baixo nível sócio-econômico e a obesidade.

Fonte: Inca
Já no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, esse tipo de câncer representa a primeira causa de óbito por câncer em mulheres, e os coeficientes de mortalidade padronizados por idade mostram tendência ascendente entre 1979 e 1999, de acordo com o Sistema de Informação do Câncer de Mama (SISMAMA- INCA), estima-se que a incidência deste tipo de câncer é, aproximadamente, 49 casos novos para 100 mil mulheres no ano de 2010. O câncer da mama ocupa o primeiro lugar em incidência nas regiões Nordeste, Sul e Sudoeste, na proporção de 22,84%, 24,14% e 23,83%, respectivamente; segundo dados do Pro/Onco - INCA em 1996. No Norte e Centro-Oeste, esta incidência é sobrepujada pelo câncer do colo do útero.
Podemos prevenir se conhecermos os fatores de riscos
Os fatores de risco não são identificados em 50% a 75% dos casos. A explicação está no fato de existir uma interação entre os fatores descritos, a provável exposição a fatores ambientais (incluindo aspectos do trabalho), uso de cosméticos e produtos domisanitários. Vários fatores de risco têm sido estudados no intuito de que sejam estabelecidos critérios que possam precisar, de forma mais objetiva, o prognóstico dos casos. Apesar de ser raro o aparecimento da doença antes dos 35 anos – a grande parte dos casos é diagnosticada após a menopausa – são nítidas as diferenças de prognóstico em função da idade: mulheres jovens evoluem, em geral, pior quando comparadas a mulheres mais idosas mesmo quando os dois grupos etários recebem assistência semelhante. São considerados fatores de risco para o surgimento do câncer de mama:
Histórico familiar, principalmente se um ou mais parentes próximos foram acometidos antes do 50 anos de idade;
Aspectos hormonais que estão intimamente ligados com estímulo do estrogênio seja ele endógeno ou exógeno; mulheres com menarca precoce (menos que 12 anos); menopausa tardia (após os 50 anos), gravidez depois dos 30 anos de idade;
Outros fatores são apresentados na tabela abaixo:


AGENTE
Agrotóxico, benzeno, campos eletromagnéticos de baixa frequência, campos magnéticos, compostos orgânicos voláteis, hormônios, dioxinas.

OCUPAÇÃO
Cabeleireiro, operador de rádio e telefone, enfermeiro e auxiliar de enfermagem, comissário de bordo, trabalho noturno.

ATIVIDADE ECONÔMICA
Indústrias: borracha e plástico, química, refinaria de petróleo, manufatura de PVC.
Fonte: INCA, 2012.  

 Câncer de mama nem sempre é igual
Sob a denominação de câncer da mama estão incluídos tumores de diferentes características histopatológicas, responsividade endócrina (receptores hormonais de estrogênio e progesterona) e fatores moleculares específicos reguladores do crescimento tumoral (oncogenes e genes supressores tumorais).

Como pode surgir o câncer de mama
Considerada multifatorial, estima-se que 5% dos casos de câncer de mama são associados a fatores hereditários e acometem com mais agressividade mulheres jovens, com menos de 45 anos. São considerados dois genes BRCA 1, detectado nos linfócitos periféricos e o BRCA 2, que também está envolvido com cânceres de mama em pessoas do sexo masculino. Em outros 95% dos casos, os fatores envolvidos não são hereditários e podem estar associados à produção de hormônios e utilização de hormônios exógenos e também a causas ambientais (fatores externos) como consumo de cigarro e bebidas alcoólicas.

Quais os sinais clínicos que podem aparecer
O sinal mais comum é o aparecimento de um nódulo ou endurecimento, com característica de não desaparecer e de não mudar de aspecto quando apalpado. Outros sinais são: edema (inchaço), ruga (retração da pele), abaulamento de uma parte da mama, eritema (vermelhidão), feridas na pele (ulceração), sangramento pelo mamilo e desvio do mamilo e alteração da aréola.

 Diagnóstico precoce é a chave do sucesso
O diagnóstico baseia-se na anamnese (conversa inicial com o médico), em busca de algum fator de risco, e também de exame clínico geral em busca de alguma patologia associada ou concomitante. No exame físico da mama, durante inspeção estática e dinâmica é possível observar a superfície cutânea e a presença de abaulamentos ou retrações. Quanto à palpação, na presença de lesão nodular pode-se avaliar a consistência, mobilidade e a relação com tecidos adjacentes (infiltração ou lesão bem delimitada). Além da mamografia, serão solicitados outros exames de imagem, como o ultrassom e a ressonância magnética da mama. Estes exames não substituem a mamografia, apenas auxiliam na descoberta da doença. A radiografia de tórax, ultrassonografia de abdome, cintilografia óssea e ecografia, bem como exames de sangue que verifiquem a função do fígado, serão necessárias para avaliação de estadiamento, ou seja, ver a progressão da doença no corpo. Porém, a certeza do diagnóstico será obtida por meio das punções percutâneas com agulhas finas ou grossas (mamotomia ou core biopsy), nos casos de microcalcificações, nódulos subclínicos e palpáveis para realização de biópsias. Testes de receptores hormonais, estrógeno e progesterona, podem ser solicitados, caso o câncer seja diagnosticado durante a biópsia. Estes testes revelam se os hormônios podem ou não estimular o crescimento do câncer. Com esta informação, o médico pode decidir se é ou não aconselhável a indicação de um tratamento à base de hormônios. Esses testes são feitos no tumor e a amostra é colhida durante a biópsia.Caso a biópsia detecte um tumor maligno, outros testes laboratoriais serão feitos no tecido para que mais dados sejam obtidos a respeito das características do tumor.

Importância do autoexame

A melhor maneira de a mulher descobrir um nódulo em sua mama é perdendo alguns minutos e conhecendo as suas próprias mamas, examinando-as mensalmente no sentido de encontrar qualquer anormalidade, onde as mulheres acima de 20 anos deveriam examinar suas mamas pelo menos uma vez ao mês.   Como fazer o auto-exame:
1.Deite-se e coloque um travesseiro sob seu ombro direito. Coloque seu braço direito atrás da cabeça;
2.Use a ponta dos três dedos médios de sua mão esquerda para sentir nódulos ou endurecimentos na sua mama direita. Pressione bastante para um contato melhor com a sua mama, observando sua forma, sua densidade e possíveis abaulamentos;
3.Faça um movimento em torno da mama num mesmo sentido ou no sentido de "vai-e-vem", ou em cunha. Siga a mesma rota cada vez. Certifique-se de que examinou toda a mama, e lembre-se dos detalhes para cada mês;
4.Agora examine sua mama esquerda, usando a ponta dos dedos médios da mão direita, repetindo o que fez com a mão esquerda no exame anterior

Diversos tratamentos
São várias as modalidades de tratamento do câncer em seus aspectos tumorais, que incluem a cirurgia, a quimioterapia, a radioterapia, a hormonioterapia, a imunoterapia e a reabilitação.
Cirurgias Conservadoras: tumorectomia (exérese do tumor sem margens); Ressecção segmentar ou setorectomia(exérese do tumor com margens).
Cirurgias Não conservadoras: adenomastectomia subcutânea ou mastectomia, subcutânea (retirada da glândula mamária, preservando-se pele e complexo aréolo-papilar); Mastectomia simples ou total (retirada da mama com pele e complexo aréolo-papilar); Mastectomia com preservação de um ou dois músculos peitorais com linfadenectomia axilar (radical modificada); Mastectomia com retirada do(s) músculo(s) peitoral(is) com linfadenectomia axilar (radical).
Radioterapia: após cirurgia conservadora, deve-se irradiar toda a mama das pacientes submetidas a esse tipo de cirurgia, independente do tipo histológico, idade, uso de quimioterapia e/ou hormonioterapia e mesmo com margens cirúrgicas livres de comprometimento neoplásico.
Quimioterapia neoadjuvante: o objetivo dessa terapeutica é reduzir o volume tumoral tornando tumores irressecáveis em ressecáveis, e/ou possibilitando a cirurgia conservadora nos tumores inicialmente candidatos à mastectomia radical. O esquema quimioterápico utilizado deve ser baseado em regimes contendo antraciclinas (Doxorrubicina ou Epirrubicina) associadas a Taxanes (AT) ou ciclofosfamida e Fluorouracil (FAC, FEC, AC) administrando-se de 3 a 4 ciclos de acordo com a resposta. A resposta à quimioterapia neoadjuvante é um fator preditivo de sobrevida livre de doença e sobrevida global.
Hormonioterapia adjuvante: a hormonioterapia adjuvante com Tamoxifeno 20 mg/dia por 5 anos deve ser empregada em todas as pacientes com receptor hormonal positivo, sendo o benefício observado nas pacientes na pré ou pós-menopausa.
Geralmente, o tratamento do requer a combinação de mais de um método terapêutico, o que aumenta a possibilidade de cura, diminui as perdas anatômicas, preserva a estética e a função dos órgãos comprometidos. Essas modalidades de tratamento são bastante eficazes, uma vez que são capazes de controlar o tumor primário e suas complicações. No entanto, o planejamento terapêutico do paciente com câncer deve incluir um conjunto de cuidados, dos quais a conduta clínica e/ou cirúrgica é apenas uma parte. Assim, a "reabilitação tem como principal objetivo a melhoria da qualidade de vida do indivíduo. Deve procurar atender às necessidades específicas de cada paciente, com medidas que visem à restauração anatômica e funcional, ao suporte físico e psicológico e à paliação de sintomas" .
           
E o que o futuro pode reservar
Depende da extensão da doença, chamado de estadiamento. Quando diagnosticado e tratado oportunamente, o prognóstico é relativamente favorável e promove elevados percentuais de cura. As metástases são comuns, ocorrendo com maior frequência nos linfonodos axilares e linfonodos do tórax e tem como objetivo do tratamento a melhora da qualidade de vida e prolongamento da sobrevida do paciente. A sobrevida é de cinco anos em aproximadamente 50% dos casos. O número de mortes no Brasil ainda é muito alto, se comparado com a população mundial, provavelmente por ser diagnosticado tardiamente, em estágios já avançados.
Porque um ano rosa
Se a campanha do outubro rosa já presta um grande serviço para a sociedade conscientizando da importância do diagnóstico precoce dessa doença para que ela deixe de ser a  primeira causa de óbito por câncer em mulheres imagine se lembramos disso o ano todo.

 Autoras: alunas do 4° período do Curso de Farmácia (Uniso)
Améris Letícia Foramiglio
Débora Alves
Francine Cristiane Lopes
Marina de Campos
Juliana Nardes dos Santos
Revisão: Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos
Imagens:
Símbolo da campanha: previlab.com.br
Autoexame (adaptado):http://www.medimagemrio.com.br/clientes/artigo/autoexame-das-mamas-info 

REFERÊNCIAS 
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