Osteoporose: um problema para quem está envelhecendo
Uma questão
de saúde pública
A osteoporose faz parte do processo natural de
envelhecimento e caracteriza-se pela diminuição substancial da massa óssea que
provoca ossos ocos, finos e de extrema sensibilidade, mais sujeitos à fraturas.
É uma doença silenciosa e que causa muito sofrimento, já que, geralmente é
descoberta em idosos, após fratura provocada por uma queda e até escorregão. É
uma condição caracterizada por redução da massa óssea e desorganização da
microarquitetura, resultando em fraturas após traumatismo mínimo. Constitui um
problema de saúde pública importante e crescente. De acordo com a Organização
Mundial de Saúde (OMS), no mundo, 13% a 18% das mulheres e 3% a 6% dos homens,
acima de 50 anos, sofrem com a osteoporose. Segundo o Ministério da Saúde, no
Brasil, o número de pessoas que possuem a doença chega a 10 milhões e os gastos
com o tratamento e a assistência no Sistema Único de Saúde (SUS), são altos. Só
em 2010, o SUS gastou aproximadamente R$ 81 milhões para a atenção ao paciente
portador de osteoporose e vítima de quedas e fraturas. O risco de fratura
aumenta exponencialmente com a idade, e as fraturas da coluna e do quadril
estão associadas a uma redução da sobrevida.
Causas da
osteoporose
A patogênese é ainda controversa e,
sob certos aspectos, obscura. Os fatores que parecem mais importantes são:
alterações no tecido ósseo associado ao envelhecimento, redução da atividade
física, já que o movimento é importante na remodelação óssea, disponibilidade
de cálcio no organismo e influências hormonais.
As deficiências hormonais, estrogênica na mulher
e androgênica no homem, são importantes no desenvolvimento da osteoporose, mas
os mecanismos envolvidos são em grande parte desconhecidos. Parece que ambos os
hormônios estimulam os osteoblastos, mas uma vez instalada a osteoporose, os
hormônios não revertem o quadro. Acredita-se também que haja o envolvimento do
paratormônio (PTH), da vitamina D, do distúrbios da absorção de cálcio
intestinal e calcitonina. Níveis normais de estrógenos parecem proteger o
esqueleto da ação do PTH. A suplementação dietética de vitamina D, contudo, não
mostrou benefícios significativos. Ingestão suplementar de cálcio parece ser
benéfica, mas alguns autores têm atribuído maior peso à deficiência combinada
de calcitonina e estrógenos. Existe a hipótese de que o envelhecimento torna os
osteoblastos inativos, coexistindo redução da absorção de cálcio intestinal e
consequentemente o aumento compensador da secreção de paratormônio. Vale
salientar, que existem fatores locais também implicados na gênese da
osteoporose, tais como as prostaciclinas, produzidas pelos osteoblastos, e
citocinas ativadoras de osteoclastos.
Como a osteoporose se desenvolve
A remodelagem óssea no adulto é caracterizada por atividade de reabsorção e
formação óssea estritamente acoplada ao tempo e espaço. Esta atividade é
determinada por uma fase de reabsorção da antiga matriz óssea pelos
osteoclastos, seguido de uma fase de formação da matriz orgânica pelos
osteoblastos. Com a idade, ocorre um desacoplamento destes processos, e a
reabsorção passa a superar a formação óssea. Isso pode estar ligado a uma
deficiente formação ou a uma atividade aumentada dos osteoclastos. Os
mecanismos envolvidos são diferentes de acordo com o gênero
(masculino/feminino), idade e estado hormonal. A quantidade de osso formada pelos osteoblastos diminui progressivamente
com o avançar da idade e. além disso, a profundidade das lacunas de reabsorção
também diminui, porém menos que a formação, resultando num balanço final
negativo. O adelgaçamento das trabéculas, que evoluem para perfuração e perda
de conectividade provavelmente são produtos finais deste desequilíbrio, com
aumento da fragilidade óssea e do risco de fraturas.
Ossos mais sujeitos a osteoporose
Embora a osteoporose seja
sistêmica, os sinais de redução de massa óssea são mais marcantes nos corpos
vertebrais, colo do fêmur, metacarpos, rádio distal, tíbia, úmeros proximais e
pelve.
A reabsorção tem início na superfície endóstica do osso cortical,
resultando em adelgaçamento e porosidade dessa superfície e ampliação do canal
medular. O osso esponjoso também é comprometido e as trabéculas podem se
transformar em lâminas bastante delgadas ou mesmo desaparecer pela absorção
completa, explicando as frequentes fraturas e colapsos dos corpos vertebrais
(fraturas por pressão e esmagamento). O enfraquecimento do osso subcondral e a
expansão do disco intervertebral podem tornar o corpo vertebral bicôncavo,
configurando a “vértebra em bacalhau”. Dependendo da atividade de remodelação,
a osteoporose pode ser ativa, quando há evidências de absorção e produção óssea
aumentada (acelerada), ou inativa com formação óssea reduzida e a atividade
reabsortiva contínua (reduzida). Estudos histomorfométricos são úteis na
diferenciação das duas formas. A forma ativa inclui aumento da superfície e da
quantidade de osteóide, aumento da superfície osteoblástica e da fração de
superfície marcada pela tetraciclina. Simultaneamente, há maior número de
osteoclastos com maior superfície de absorção e fibrose peritrabecular. A forma
inativa apresenta redução do osteóide, das superfícies osteobçásticas, da
fração marcada pela tetraciclina, da população de osteoclastos e das superfícies de reabsorção (veja figura 1
abaixo).
Os indivíduos com osteoporose apresentam fragilidade
generalizada do esqueleto, sendo também comum a fratura em outros locais, como
costelas e ossos longos.
Fatores de risco para o desenvolvimento da osteoporose
Chama-se fator de risco a
qualquer situação que aumente a probabilidade de
ocorrência de uma doença ou agravo à saúde. O risco relativo demonstra quantas
vezes o risco é maior em um grupo, quando comparado a outro. Abaixo se encontram listados os fatores de
riscos para a osteoporose, considerados maiores e menores.
A) Fatores maiores:
Sexo feminino;
Baixa densidade mineral óssea
(DMO);
Fratura prévia;
Raça asiática ou caucásica;
Idade avançada em ambos os
sexos;
História materna de
osteoporose;
Menopausa precoce não tratada
(antes dos 40 anos);
Tratamento com corticoides;
B)Fatores menores:
Amenorréia primária ou
secundária;
Hipogonadismo primário ou
secundário em homens;
Perda de peso após os 25 anos
ou baixo índice de massa corpórea (IMC<19 font="" kg="" m2="">);19>
Tabagismo;
Alcoolismo;
Sedentarismo;
Tratamento com outras drogas que induzem perda de massa óssea como a
heparina, varfarina, anticonvulsivantes (fenobarbital,fenitoína,
carbamazepina), lítio e metotrexate;
Imobilização prolongada;
Dieta pobre em cálcio;
Doenças que induzem à perda
de massa óssea.
A tabela 1 mostra os fatores que predispõem o
surgimento da osteoporose, na mulher após a menopausa.
Tipos de Osteoporose:
Podemos classificar a
osteoporose em primária e secundária. É considerada primária quando não há uma condição clínica prévia ou
concomitante que justifique a sua ocorrência. Na secundária, a osteoporose é
decorrente de uma doença (renal hepática, endócrina ou hematológica), um distúrbio alimentar ou uso de uma medicação. No quadro abaixo
estão listadas os principais tipos de osteoporose (primárias e secundárias).
Osteoporose circunscrita
Restringe-se a uma parte do osso ou a um segmento do
esqueleto. É muito frequente, e o exemplo clássico é a osteoporose por desuso
em ossos imobilizados, pois os movimentos representam estímulo normal para a
atividade osteoblástica; na falta deles, há reabsorção acelerada sem produção
óssea compensadora. Este tipo de osteoporose ocorre em imobilização por fraturas e paralisias,
principalmente naquelas causadas por doenças do neurônio motor inferior (paraplegia,
quadriplegia etc.). A osteólise resultante provoca hipercalcemia e
hipercaciúria, às vezes em níveis ameaçadores para o paciente imobilizado. Cessada
a imobilização e com o retorno dos movimentos, há reativação dos osteoblastos e
involução da osteopenia. Admite-se que os osteoblastos sejam induzidos a
produzir matriz por estímulos elétricos resultantes do exercício muscular. Além
da imobilização outro fator desencadeador da osteoporose circunscrita é a
ausência da força gravitacional e a queda da pressão atmosférica. Os
astronautas sofrem de perda significativa de tecido ósseo na exploração
espacial prolongada ocasionando osteoporose de vôos espaciais.
Prevenindo a osteoporose
Como forma de prevenção
durante toda a vida, em todas as idades, é recomendada a realização dos
exercícios de fortalecimento dos músculos de intensidade razoável e praticados
de modo regular. Para as crianças e adolescentes, é importante uma ingestão adequada
de cálcio e vitamina D, e por isso na dieta é importante o consumo de leite e
derivados, que possuem alto índice de cálcio e a diminuição do consumo de
refrigerantes. Outras fontes potenciais de cálcio são os vegetais de cor verde
escuro, os peixes e os alimentos oleaginosos, como castanhas e nozes para que a
massa óssea alcance o nível apropriado de acordo com a constituição genética. A
exposição ao sol, de 15 a 20 minutos, em horário correto, também é um hábito
importante para a prevenção da osteoporose, já que a luz do sol é fonte de
vitamina D, que ajuda na fixação do cálcio nos ossos e diminui o risco de
osteoporose na fase adulta. Temos que motivar à criança a sair de frente do
computador e da televisão e brincar ao ar livre. Além disso, pode ser
necessária uma atenção para o estado nutricional particularmente em pacientes
idosos e naqueles que correm risco de desenvolver deficiência de vitamina D. O
tabagismo e o consumo excessivo de álcool constituem fatores de risco
significativos e devem ser evitados.
Abaixo um quadro com os
principais alimentos ricos em cálcio, bem como a quantidade desse mineral na
porção recomendada, que é de: 1.200 mg/dia para adultos e de 1.500 mg/dia para
mulheres no período pós-menopausa.

Sintomatologia
O
paciente não apresenta sinais e sintomas nos primeiros estágios da doença. Eles
aparecem mais tarde, quando a densidade óssea diminui a ponto de causar colapso
ou fratura óssea, o que pode provocar dor e deformidade óssea. Pode ainda
ocorrer dorsalgia (dor nas costas) se o indivíduo sofrer um colapso vertebral
(fraturas por esmagamento vertebral). Caso várias vértebras sejam fraturadas, a
coluna vertebral sofre uma curvatura anormal que provoca distensão muscular e
dor, chamada de "corcunda de viúva". Pequenas sobrecargas de peso ou
quedas podem fraturar outros ossos. A osteoporose não só provoca fraturas, mas
também retarda a consolidação.
Diagnosticando a osteoporose
O diagnóstico é feito após uma
investigação clínica, composta pelo histórico clínico, exame físico, exames
laboratoriais, exames de imagens e a densitometria óssea.
História clínica: esta avaliação deve incluir questões sobre a história pessoal e familiar do indivíduo e a identificação de fatores de risco subjacentes. As pessoas em risco devem ser identificadas e informadas, o mais precocemente possível, para que possam ser tomadas medidas proativas de prevenção da doença. Os doentes podem referir dor crônica ou frequente na coluna vertebral (raquialgias) causada pela ocorrência de fraturas vertebrais ou pelas alterações posturais que delas decorrem. Podem também queixar-se de dificuldade em alcançar objetos situados a uma altura que antes alcançavam sem dificuldade.
História clínica: esta avaliação deve incluir questões sobre a história pessoal e familiar do indivíduo e a identificação de fatores de risco subjacentes. As pessoas em risco devem ser identificadas e informadas, o mais precocemente possível, para que possam ser tomadas medidas proativas de prevenção da doença. Os doentes podem referir dor crônica ou frequente na coluna vertebral (raquialgias) causada pela ocorrência de fraturas vertebrais ou pelas alterações posturais que delas decorrem. Podem também queixar-se de dificuldade em alcançar objetos situados a uma altura que antes alcançavam sem dificuldade.
Exame
físico: essa etapa permitirá identificar eventuais
sinais da existência de osteoporose. As fraturas vertebrais podem originar deformidades visíveis da coluna, como a clássica gibosidade
(corcunda) na região dorsal superior. A medição da altura poderá detectar uma
diminuição significativa em relação à altura que o indivíduo tinha quando mais jovem.
Exames
laboratoriais e radiografias convencionais: a realização
de exames laboratoriais pode ser necessária para estabelecer o diagnóstico ou
para excluir causas secundárias da perda óssea. A realização de radiografias
convencionais pode identificar ou confirmar a existência de fraturas osteoporóticas.
No entanto, a radiografia é pouco confiável na avaliação da densidade óssea, visto
que é inadequada como meio de diagnóstico de osteopenia ou de osteoporose, em pessoas
sem fraturas.
Determinação
da Densidade Mineral Óssea (DMO): os indivíduos
identificados como tendo risco de desenvolver osteoporose devem efetuar a
medição da DMO, a fim de se estabelecer o diagnóstico de osteopenia ou de
osteoporose e a identificação de candidatos para efetuar a terapêutica,
embora a decisão de iniciá-la, ou não, esteja dependente de fatores de risco
adicionais, tais como a história familiar e a história prévia de fraturas. Dentre as
diversas técnicas disponíveis para a determinação da DMO, as mais
frequentemente utilizadas são: absorciometria de raios-X de dupla energia ("Dual
Energy X-ray Absorptiometry "- DEXA), tomografia quantitativa computorizada
(TQC) e a ultrassonografia quantitativa (USQ). A DEXA é a técnica habitualmente
preferida devido à sua ampla disponibilidade, elevada precisão e exatidão,
capacidade de determinação da DMO numa grande diversidade de localizações e
reduzida exposição a radiação. Esta técnica recorre a dois feixes de raios X
com diferentes níveis de energia: o de baixa-energia é atenuado essencialmente
pelos tecidos moles produzindo apenas um pequeno sinal detectável. O de
alta-energia penetra nos tecidos moles e é atenuado essencialmente pelo osso,
originando um sinal detectável mais forte.
Tratamento da osteoporose
O tratamento da doença inclui alimentação rica em
cálcio e medicamentos que potencializam a absorção de cálcio pelo osso, além de
atividade física regular, exposição solar e prevenção de quedas, que se
ocorrerem, podem agravar a situação do indivíduo.
Os agentes farmacológicos atuam diminuindo a taxa de
reabsorção óssea e, portanto, retardando a taxa de perda óssea (terapia
anti-reabsortiva) ou promovendo a formação óssea (terapia anabólica). O
tratamento farmacológico tem por objetivo restaurar a força do osso e evitar
fraturas. Temos como agentes antirreabsortivos, os bifosfonatos, estrogênio ou
modulador seletivo do receptor de estrogênio (MSRE), raloxifeno, e em menor
grau, calcitonina. Esses fármacos inibem a perda do osso mediada por
osteoclastos, reduzindo assim, a renovação óssea.
A administração de estrogênio em mulheres na menopausa
constitui poderosa intervenção para preservar o osso e protegê-lo contra
fraturas; os efeitos prejudiciais da terapia de reposição hormonal (TRH)
levaram a um re-exame minucioso das opções de tratamento.
Em 2002, o FDA (“Food and
Drug Administration”) aprovou o fragmento de PTH biologicamente ativo,
PTH(1-34)(teriparatida), para uso no tratamento de mulheres na pós-menopausa com osteoporose e homens com
osteoporose primária ou hipogonadal. Porém esse agente só deve ser utilizado
após considerações dos riscos (causa potencial de osteossarcoma) e benefícios
em pacientes refratários aos bifosfonatos ou com acentuado risco de fratura.
Autoras: alunas do 4° período do Curso de Farmácia da Uniso
Giovana Sabadim
Jeniffer Mourão
Márcia Peres
Vanessa Gomes
Revisão: Edilma Maria de albuquerque Vasconcelos
Figuras, quadros e
tabela:
Figuras 1, 2 e 3: RAMALHO; CASTRO, 1999.
Tabela 1. Haydée Serrão
Lanzillotti,; Regina Serrão Lanzillotti; Ana Paula Rocha Trotte;
Alessandra Silva Dias, O-rev nut. Vol 6 n2,
Campinas; 2003.
Quadro
1. Patologia. Bogliolo, 7ª edição
, Rio de Janeiro, 2006, página 987
Quadro2. http://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/noticia/2743/162/prevencao-a-osteoporose-deve-comecar-na-infancia.html
Bibliografias
consultadas
GOODMAN & GILMAN. As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 12ª ed. Porto
Alegre: AMGH, 2012.
FILHO, GERALDO BRASILEIRO. Bogliolo Patologia. 7ª ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2006.
Portal da saúde. Prevenção da osteoporose.
Disponível em <http://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/noticia/2743/162/prevencao-a-osteoporose-deve-comecar-na-infancia.html> Acessado em: 21 novembro 2013.
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Brasileira de reumatologia. Cartilha aos pacientes - Osteoporose. Disponível em
< http://www.reumatologia.com.br/PDFs/Cartilha%20osteoporose.pdf
> Acesso: 20 novembro 2013.








