A obesidade, considerada uma
epidemia do século XXI, é causada por um baixo gasto energético, devido principalmente
ao estilo de vida sedentário e uma dieta hipercalórica, bem como por uma
predisposição genética. O controle preventivo da obesidade é difícil, porque diversas
pessoas que tentam perder peso têm dificuldade de mudar o estilo de vida e, como
exemplos, podem ser citados a inserção da prática regular de exercício físico e
o controle da ingesta alimentar. Uma maneira encontrada por grande parte dessas
pessoas é a utilização de adoçantes (ou edulcorantes) artificiais de baixas
calorias ou não calóricos, já que dão sabor adocicado aos alimentos, mas que
proporcionam uma diminuição da ingesta calórica. No Brasil, até meados dos anos
80, os produtos dietéticos eram considerados fármacos e o seu consumo
limitava-se aos portadores de diabetes, sendo comercializados sob a orientação
médica. No final da década de 80, aconteceu a reformulação da legislação,
quanto à classificação dos adoçantes, permitindo que passassem a ser
comercializados livremente nas prateleiras dos supermercados, popularizando o
seu consumo. Entre os adoçantes artificiais
aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária- Brasil) estão a sacarina, a sucralose, o ciclamato e o
aspartame. A sacarina, um derivado do petróleo, é 400 vezes mais doce do que a sacarose (açúcar de mesa
comum) e, por não ser metabolizada pelo organismo, é
excretada sem alterações. Um dos inconvenientes desse adoçante é deixar um
ligeiro gosto amargo na boca. O aspartame tem o pode de adoçar 100 a 200 vezes
mais do que a sacarose. É produzido a partir dos aminoácidos ácido aspártico e fenilalanina,
ligados por um éster de metila (metanol). Quimicamente, o aspartame é o L-Aspartil--L-fenilalanina,
metabolizado no trato gastrointestinal em metanol (10%) e em 2 aminoácidos, o ácido aspártico (40%) e
a fenilalanina (50%), por
isso é contraindicado o seu uso para portadores de fenilcetonúria. A Sucralose é
um adoçante artificial derivado da sacarose, é 600 vezes mais doce do que o açúcar e por isso
bastam quantidades muito pequenas para adoçar os alimentos. Não é metabolizada pelo
organismo. O ciclamato também é um derivado do petróleo, é aproximadamente 30-40 vezes mais doce que a
sacarose. É bom lembrar que todos os
adoçantes têm uma dose diária máxima recomendada
ou ingestão
diária aceitável (IDA), que não deve ser
ultrapassada, e por isso devemos ficar
atentos, visto que esses adoçantes ou edulcorantes estão também presentes em
diversos alimentos industrializados.
Cabe lembrar ainda, que usar indiscriminadamente
o adoçante não deve servir de desculpa para o consumo exagerado dos
outros alimentos, já que o aporte
energético não vem só dos açúcares (carboidratos), as gorduras ou lípides são
também uma fonte importante. Talvez por isso, a industrialização de uma gordura
artificial, com o mesmo sabor, mas com reduzidas calorias, tem sido o desejo de
muitos que precisam ou querem perder peso. A companhia Procter & Gamble tentou
colocar no mercado uma gordura artificial denominada olestra. Embora essa
gordura tenha estrutura química similar à gordura comum, o nosso organismo não
pode digeri-la, porque as enzimas responsáveis pela digestão das gorduras comuns
não têm ação, devido ao tamanho e à forma da olestra. Portanto, ela passa pelo
sistema digestório de forma inalterada e por isso não é calórica. A Procter & Gamble conseguiu em 24 de
janeiro de 1996 a aprovação do FDA (Food and Drug Administration-EUA), para que essa gordura artificial pudesse ser usada
em lanches salgados como batatas chips e bolachas. Porém, foi constatado que essa
gordura artificial podia causar diarreia, cólica e náuseas, em certas pessoas, e que
esses efeitos aumentavam com a quantidade consumida. Além disso, ela inibia a
absorção de vitaminas lipossolúveis A,
D, E e K. Todas essas reações adversas fizeram com que o produto caísse em
desuso e, por enquanto, uma gordura não calórica só existe no imaginário de alguns.
Uma reeducação alimentar é, portanto a melhor saída para quem precisa ou quer
perder peso.
Autora: Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos
Referências:
Frederick A. Bettelheim, William H. Brown, Mary
K. Campbell e Shawn O. Farrel.
Introdução
À Bioquímica. Editora Cengage
Learning , 2012, São Paulo (página 740).
http://www.anvisa.gov.br/alimentos/informes/40_020609.htm
Imagem
adoçante:
http://kilorias.band.uol.com.br/2012/09/pesquisa-mostra-que-adocantes-engordam-mais-que-acucar/
http://kilorias.band.uol.com.br/2012/09/pesquisa-mostra-que-adocantes-engordam-mais-que-acucar/

