quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Açúcar e gordura artificiais

A obesidade, considerada uma epidemia do século XXI, é causada por um baixo gasto energético, devido principalmente ao estilo de vida sedentário e uma dieta hipercalórica, bem como por uma predisposição genética. O controle preventivo da obesidade é difícil, porque diversas pessoas que tentam perder peso têm dificuldade de mudar o estilo de vida e, como exemplos, podem ser citados a inserção da prática regular de exercício físico e o controle da ingesta alimentar. Uma maneira encontrada por grande parte dessas pessoas é a utilização de adoçantes (ou edulcorantes) artificiais de baixas calorias ou não calóricos, já que dão sabor adocicado aos alimentos, mas que proporcionam uma diminuição da ingesta calórica. No Brasil, até meados dos anos 80, os produtos dietéticos eram considerados fármacos e o seu consumo limitava-se aos portadores de diabetes, sendo comercializados sob a orientação médica. No final da década de 80, aconteceu a reformulação da legislação, quanto à classificação dos adoçantes, permitindo que passassem a ser comercializados livremente nas prateleiras dos supermercados, popularizando o seu consumo. Entre os  adoçantes artificiais aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária- Brasil)  estão a sacarina, a sucralose, o ciclamato e o aspartame. A sacarina, um derivado do petróleo, é 400 vezes mais doce do que a sacarose (açúcar de mesa comum) e, por não ser metabolizada pelo organismo, é excretada sem alterações. Um dos inconvenientes desse adoçante é deixar um ligeiro gosto amargo na boca. O aspartame tem o pode de adoçar 100 a 200 vezes mais do que a sacarose. É produzido a partir dos aminoácidos ácido aspártico e fenilalanina, ligados por um éster de metila (metanol).  Quimicamente, o aspartame é o L-Aspartil--L-fenilalanina, metabolizado no trato gastrointestinal em  metanol (10%) e em 2 aminoácidos, o ácido aspártico (40%) e a fenilalanina (50%), por isso é contraindicado o seu uso para portadores de fenilcetonúria. A Sucralose é um adoçante artificial derivado da sacarose, é 600 vezes mais doce do que o açúcar e por isso bastam quantidades muito pequenas para adoçar os alimentos. Não é metabolizada pelo organismo. O ciclamato também é um derivado do petróleo, é aproximadamente 30-40 vezes mais doce que a sacarose.  É bom lembrar que todos os adoçantes  têm uma dose diária máxima recomendada ou ingestão diária aceitável (IDA), que não deve ser ultrapassada, e por isso devemos ficar atentos, visto que esses adoçantes ou edulcorantes estão também presentes em diversos alimentos industrializados.


Cabe lembrar ainda, que usar indiscriminadamente o adoçante não deve servir de desculpa para o consumo exagerado dos outros alimentos, já que o aporte energético não vem só dos açúcares (carboidratos), as gorduras ou lípides são também uma fonte importante. Talvez por isso, a industrialização de uma gordura artificial, com o mesmo sabor, mas com reduzidas calorias, tem sido o desejo de muitos que precisam ou querem perder peso. A companhia Procter & Gamble tentou colocar no mercado uma gordura artificial denominada olestra. Embora essa gordura tenha estrutura química similar à gordura comum, o nosso organismo não pode digeri-la, porque as enzimas responsáveis pela digestão das gorduras comuns não têm ação, devido ao tamanho e à forma da olestra. Portanto, ela passa pelo sistema digestório de forma inalterada e por isso não é calórica. A  Procter & Gamble conseguiu em 24 de janeiro de 1996 a aprovação do FDA (Food and Drug Administration-EUA), para que essa gordura artificial pudesse ser usada em lanches salgados como batatas chips e bolachas. Porém, foi constatado que essa gordura artificial podia causar diarreia, cólica e náuseas, em certas pessoas, e que esses efeitos aumentavam com a quantidade consumida. Além disso, ela inibia a absorção de vitaminas lipossolúveis  A, D, E e K. Todas essas reações adversas fizeram com que o produto caísse em desuso e, por enquanto, uma gordura não calórica só existe no imaginário de alguns. Uma reeducação alimentar é, portanto a melhor saída para quem precisa ou quer perder peso.
Autora: Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos
Referências:
Frederick A. Bettelheim, William H. Brown, Mary K. Campbell e Shawn O. Farrel.
Introdução À Bioquímica.  Editora Cengage Learning , 2012, São Paulo (página 740).
http://www.anvisa.gov.br/alimentos/informes/40_020609.htm
Imagem adoçante:
http://kilorias.band.uol.com.br/2012/09/pesquisa-mostra-que-adocantes-engordam-mais-que-acucar/