domingo, 13 de outubro de 2013

Se o fígado sofre calado então o que nos falaria, como forma de alerta, se conseguisse escrever 



Acho que começaria nos falando sobre as hepatites, tema que será agora abordado.

O que significa hepatite
Hepatite é um termo geral que significa que o fígado está inflamado, podendo ter várias causas e, dentre elas, o uso de alguns medicamentos, álcool e outras drogas, além de doenças autoimunes, metabólicas e genéticas, assim como os agentes infecciosos. As hepatites virais podem ser causadas por vários vírus como os das hepatites A, B, C, D e E. Essa hepatites destacam-se por serem um grave problema de saúde pública em todo mundo. No Brasil, as mais comuns são aquelas causadas pelos vírus A, B e C; enquanto que os vírus D e E são mais frequentes na África e na Ásia. Todos esses tipos de vírus causam uma hepatite viral aguda porém, os vírus das hepatites B, C e D podem causar infecção crônica e prolongada, às vezes por toda a vida. A hepatite crônica (ou prolongada) pode causar cirrose, insuficiência hepática (mau funcionamento do fígado) e também câncer hepático.
Hepatite B
A hepatite do tipo B é uma doença infecciosa também chamada de soro-homóloga.  É causada pelo vírus B (HBV), um vírus DNA, família Hepadnaviridae. Como dita anteriormente, pode causar infecção aguda, que  é quando a infecção tem curta duração ou crônica que acontece quando a doença dura mais de seis meses. O risco de tornar-se uma doença crônica depende da idade em que ocorre a infecção, sendo as crianças o grupo mais afetado. Naquelas com menos de um ano, esse risco chega a 90%; entre 1 e 5 anos, varia entre 20% e 50% e em adultos, o índice cai para 5% a 10%.
Como o VHB está presente no esperma, a hepatite B é considerada uma doença sexualmente transmissível portanto, pode ser transmitida por relações sexuais sem camisinha, com uma pessoa infectada. Além disso, por está presente no sangue e leite materno, pode também ser transmitida da mãe infectada para o filho durante a gestação, o parto ou a amamentação, compartilhamento de material para uso de drogas (seringas, agulhas, cachimbos), de higiene pessoal (lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, alicates de unha ou outros objetos que furam ou cortam) ou de confecção de tatuagem e colocação de “piercings” e por transfusão de sangue contaminado. O período de transmissibilidade pode durar de duas a três semanas antes dos primeiros sintomas e mantém-se durante a evolução clínica da doença. O portador crônico pode transmitir por vários anos.
Pode ser assintomática, mas sinais e sintomas costumam aparecer de um a seis meses após a infecção, de forma  diversificada e nem sempre são característicos apenas da hepatite. Entre as sintomatologias apresentadas destacam-se pele e olhos amarelados (icterícia), cansaço e tontura, dor abdominal, diarreia, náuseas ou vômitos, febre, urina de coloração marrom escura (colúria) e às vezes fezes claras (hipocolia fecal).
O diagnóstico pode ser clínico e laboratorial. Apenas com os aspectos clínicos não é possível identificar o agente etiológico, sendo necessários exames sorológicos. Os exames laboratoriais inespecíficos incluem as dosagens de aminotransferases ALT (alanino aminotranferase) e AST (aspartato aminotransferase) que quando elevadas indicam lesão do parênquima hepático e, para avaliar a função hepática, podem ser dosadas as bilirrubina e determinar o tempo de protrombina; ambos encontram-se elevadas/aumentado quando o fígado tem a sua função comprometida, indicando gravidade. Os exames específicos são feitos através de métodos sorológicos e de biologia molecular. Seis marcadores sorológicos são usados rotineiramente: HBsAg (Antígeno de superfície do vírus B), sua presença indica infecção em curso; Anti-HBc IgM (Anticorpo IgM contra o antígeno core do vírus B),  sua presença indica infecção aguda, sendo o primeiro anticorpo detectável; Anti-HBc total (Anticorpos totais contra o antígeno core do vírus B), é o melhor marcador de exposição ao vírus B; HBeAg (Antígeno “e” do vírus B), é um marcador de replicação viral, sendo sua positividade indicativa de alta infecciosidade; Anti-HBe (Anticorpo contra o antígeno “e” do vírus B), geralmente, é detectado após o desaparecimento do HBeAg, sugerindo redução ou ausência de replicação viral; Anti-HBs (Anticorpo contra o antígeno de superfície do vírus B), é um anticorpo protetor, neutralizante. Está presente, geralmente, após o desaparecimento do HBsAg, indicando resolução da infecção e imunidade. É encontrado isoladamente em pessoas vacinadas. Tanto no caso da hepatite B, quanto da C, é preciso um intervalo de 60 dias para que os anticorpos sejam detectados no exame de sangue.
Como forma de tratamento, tem-se os medicamentos alfa-interferon e o peginterferon (ou interferon peguilado), que são drogas que reduzem a replicação do vírus e melhoram o sistema imune (sistema de defesa do organismo). Há ainda medicamentos antivirais como a lamivudina, adefovir dipivoxil, entecavir e telbivudina. Vale salientar que crianças nascidas de mães infectadas com o vírus da hepatite B devem receber imunoglobulina humana antivírus da hepatite B e também a vacina para hepatite B até 12 horas após o parto, para ajudar a prevenir a infecção.
As diversas formas de prevenção para que novos casos de hepatite B não surjam são: o controle efetivo de bancos de sangue através da triagem sorológica (exames feitos de rotina no sangue armazenado), vacinação contra hepatite B (disponível no SUS), o uso de imunoglobulina humana antivírus da hepatite B (também disponível no SUS), o uso de equipamentos de proteção individual pelos profissionais da área da saúde, não compartilhamento de alicates de unha, lâminas de barbear e escovas de dente, não compartilhamento de seringas e agulhas para uso de drogas e o uso de preservativos.
Atenção:

Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente a vacina contra a hepatite B em qualquer Unidade Básica de Saúde (UBS) para faixas etárias específicas e para situações de maior vulnerabilidade. Fazem parte dessas faixas etárias específicas: menores de um ano de idade, a partir do nascimento, preferencialmente nas primeiras 12 horas após o parto e crianças e adolescentes entre um e 19 anos de idade. Para todas as faixas etárias a vacina está disponível nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) para as seguintes situações: vítimas de abuso sexual, vítimas de acidentes com material biológico positivo ou fortemente suspeito de infecção por VHB, profissionais de saúde, hepatopatias crônicas e portadores de hepatite C, doadores de sangue, transplantados de órgãos sólidos ou de medula óssea, potenciais receptores de múltiplas transfusões de sangue ou politransfundidos, portadores de nefropatias crônicas/dialisados/síndrome nefrótica, indivíduos com convívio familiar contínuo com pessoas portadoras de HBV, portadores de fibrose cística (mucoviscidose), imunodeprimidos, populações indígenas, usuários de drogas injetáveis e inaláveis, pessoas reclusas (presídios, hospitais psiquiátricos, instituições de menores, forças armadas, etc.), carcereiros de delegacias e penitenciárias, homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo; profissionais de saúde, coletadores de lixo hospitalar e domiciliar, bombeiros, policiais militares, policiais civis e policiais rodoviários, profissionais envolvidos em atividades de resgate. A imunização contra hepatite B é realizada em três doses, com intervalo de um mês entre a primeira e a segunda dose e de seis meses entre a primeira e a terceira dose (0, 1 e 6 meses). A vacina, após administração do esquema completo, induz imunidade em 90% a 95% dos casos. As populações como imunocomprometidos, portadores de insuficiência renal em programas de hemodiálise e alguns bebês prematuros, devem fazer uso de esquemas especiais, conforme Manual do CRIE, 3ª edição, MS, 2006 (BRASIL, 2006b).
Hepatite C
Até 1975, somente se conhecia os vírus das hepatites A e B e, naquele ano foi demonstrada pela primeira vez, a associação entre hepatite e transfusão sanguínea, que não era causada por nenhum destes dois vírus. Essa nova forma de hepatite foi denominada hepatite não-A não-B. Em 1989, o vírus da hepatite não-A não-B foi identificado e isolado pela primeira vez e recebeu o nome de vírus da hepatite C (VHC). O VHC é um vírus RNA, família Flaviviridae. Ele se multiplica em grande quantidade, podendo produzir até 1 trilhão de vírus por dia. Estima-se que o vírus sobreviva entre 2 a 3 horas no sangue. O VHC é classificado em seis principais genótipos (1 a 6). Os genótipos 1, 2 e 3 têm distribuição mundial, sendo os genótipos 1a e 1b os mais comuns (60%). No Brasil, também predomina o genótipo 1 (60%), em relação aos outros. As frequentes mutações do VHC e os numerosos subtipos virais são alguns dos obstáculos para o desenvolvimento de uma vacina eficaz.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, aproximadamente 3% da população mundial pode estar infectadas pelo HCV. A figura abaixo mostra a prevalência da hepatite C nas regiões do país: 
A transmissão do HCV ocorre pelo contato com sangue infectado em virtude de exposição percutânea, transfusão de sangue e/ou hemoderivados e transplantes de doadores infectados. Atualmente, destacam-se como importantes formas de transmissão do HCV o compartilhamento de equipamentos para uso de drogas, confecção de tatuagens e colocação de “pierccing”, além de objetos de uso pessoal, tais como lâminas de barbear ou depilar, escovas de dente e instrumentos para pedicure/manicure.  O HCV é transmitido de forma menos eficiente por exposição de mucosas ou contato com fluidos corporais. A transmissão sexual ocorre principalmente em pessoas com múltiplas parcerias e com práticas sexuais desprotegidas. A coexistência de alguma doença sexualmente transmissível (DST), incluindo o HIV, constitui relevante facilitador para a transmissão. A transmissão vertical do HCV é menos frequente quando comparada à da hepatite B e ocorre em cerca de 5% dos bebês nascidos de mães portadoras do HCV com carga viral elevada. O risco de transmissão é aproximadamente quatro vezes maior em crianças nascidas de mulheres coinfectadas com HCV e HIV10.
A hepatite C aguda não causa sintomas, na maioria dos casos (50 – 90%). Até 90% dos infectados pelo VHC desenvolvem hepatite crônica (presença de doença sem melhora nos últimos 6 meses). Destas pessoas, 20% a 30% evoluem para cirrose e dos cirróticos 1,0% a 5,0% desenvolvem hepatocarcinoma. Grande parte (60 – 80%) das pessoas com hepatite C crônica não apresenta sintomas. Os sintomas surgem somente nas fases mais avançadas da doença, na presença de insuficiência hepática. Devido a esta ausência de sintomas, a hepatite C é conhecida como "Epidemia Silenciosa". A progressão da doença do fígado pode durar várias décadas e fatores como consumo de álcool, diabetes, infecção por HIV ou outros vírus no fígado, além de ter contraído a hepatite C em idade avançada, contribuem para acelerar a evolução da doença. Pelo fato de a hepatite C ter uma alta taxa de doença crônica e ser lentamente progressiva, pode levar à cirrose em 10 a 40% dos indivíduos. Dentre os cirróticos, 1 a 5% por ano podem apresentar câncer de fígado e o risco de morte é de aproximadamente 4% ao ano. As hepatites sintomáticas são caracterizadas por sinais e sintomas clínicos muitas vezes inespecíficos tais como  mal-estar, cefaléia, febre baixa, anorexia, astenia, fadiga, artralgia, náuseas, vômitos, desconforto no hipocôndrio direito e aversão a alguns alimentos e cigarro. A icterícia é encontrada entre 18 a 26% dos casos de hepatite aguda e inicia-se quando a febre desaparece, podendo ser precedida por colúria e hipocolia fecal. Pode haver também hepatomegalia ou hepatoesplenomegalia. Na forma aguda os sintomas vão desaparecendo paulatinamente.
    O diagnóstico da hepatite C é feito através de exames de sangue (sorológico) que medem a quantidade de anticorpos específicos contra o VHC produzidos pelo organismo e pela dosagem da quantidade de vírus no sangue (testes de biologia molecular), anti HCV e HCV RNA, respectivamente. Para confirmar hepatite crônica é necessário realizar a contagem do vírus no sangue através dos testes de biologia molecular que medem a carga viral (PCR – reação de polimerase em cadeia). Além de confirmarem o diagnóstico da hepatite C, os testes de carga viral também são úteis na identificação da transmissão vertical (da mãe para o recém-nascido), em profissionais de saúde que sofreram acidentes com instrumentos pérfuro-cortantes e no acompanhamento da resposta ao tratamento. Existem também os testes rápidos, que permitem identificar os anticorpos anti-VHC alguns minutos após a realização. Estes testes não requerem coleta de sangue, mas uma gota obtida por uma "picada" no dedo. Os testes que avaliam lesão hepática ou comprometimento da função do fígado são os mesmos realizados para a hepatite B.
O tratamento na fase aguda da infecção pelo HCV tem como objetivo reduzir o risco de progressão para hepatite crônica. A detecção precoce da infecção aguda, sintomática ou não, vem sendo considerada uma importante medida de controle do HCV, a ser incorporada na prática clínica. O início tardio da terapia associa-se à menor resposta virológica sustentada (RVS). Quando a infecção é tratada precocemente, as taxas de RVS alcançam valores superiores a 80% e, em algumas situações, próximos de 98%. Nos casos sintomáticos de hepatite C aguda, sobretudo nos ictéricos, o  clareamento viral espontâneo pode ocorrer em 15% a 45% dos casos. Nas infecções causadas pelo genótipo 3, a probabilidade de clareamento viral espontâneo é maior. O clareamento viral espontâneo, quando observado, ocorre mais frequentemente nas primeiras 12 semanas após o início da infecção. De acordo com o Protocolo do Programa Nacional de Hepatites Virais do Ministério da Saúde, recomenda-se Interferon convencional, interferon peguilado alfa 2a, interferon peguilado alfa 2b, ribavirina e os inibidores de protease (telaprevir e boceprevir). O tratamento da hepatite viral crônica C tem como objetivo controlar a progressão da doença hepática por meio da inibição da replicação viral. De forma geral, a redução da atividade inflamatória impede a evolução para cirrose e CHC74. A decisão de iniciar o tratamento deve considerar o risco de progressão da doença, a probabilidade de resposta terapêutica, os eventos adversos do tratamento e a presença de comorbidades.  Algumas condições podem interferir no tratamento e devem ser investigadas, como, por exemplo, presença de doença psiquiátrica, cardíaca ou renal, doenças autoimunes, uso abusivo de álcool e outras drogas.
A prevenção requer atitudes e práticas seguras, iguais ao preconizados para a hepatite B com exceção da vacinação visto que não existe vacina para este vírus. Todos os casos devem ser notificados e investigados pela Vigilância Epidemiológica do país, que visa conhecer a magnitude, tendência, distribuição geográfica e por faixa etária, além de investigar os casos e adotar medidas de controle. 





Autores: alunos do 4° período do Curso de Farmácia da Uniso

Beatriz Moreira            

Bruna A. Dezzotti                          

Bruna Marçal                  

Monique Neves Santana            


Rafael Fais          
Revisão: Edilma Maria de Albuquerque vsconcelos
Imagem mapa: Roche, 2012
Bibliografias
http://www.quebreosilencio.com.br/sobre-hepatites/> Acessado em: 29 de setembro de 2013
http://www.hepcentro.com.br/hepatite_c.htm> Acessado em: 29 de setembro 2013
http://www.aids.gov.br/pagina/hepatite-c> Acessado em: 29 de setembro de 2013
http://www.aids.gov.br/pagina/hepatite-b> Acessado em: 29 de setembro de 2013

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Açúcar e gordura artificiais

A obesidade, considerada uma epidemia do século XXI, é causada por um baixo gasto energético, devido principalmente ao estilo de vida sedentário e uma dieta hipercalórica, bem como por uma predisposição genética. O controle preventivo da obesidade é difícil, porque diversas pessoas que tentam perder peso têm dificuldade de mudar o estilo de vida e, como exemplos, podem ser citados a inserção da prática regular de exercício físico e o controle da ingesta alimentar. Uma maneira encontrada por grande parte dessas pessoas é a utilização de adoçantes (ou edulcorantes) artificiais de baixas calorias ou não calóricos, já que dão sabor adocicado aos alimentos, mas que proporcionam uma diminuição da ingesta calórica. No Brasil, até meados dos anos 80, os produtos dietéticos eram considerados fármacos e o seu consumo limitava-se aos portadores de diabetes, sendo comercializados sob a orientação médica. No final da década de 80, aconteceu a reformulação da legislação, quanto à classificação dos adoçantes, permitindo que passassem a ser comercializados livremente nas prateleiras dos supermercados, popularizando o seu consumo. Entre os  adoçantes artificiais aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária- Brasil)  estão a sacarina, a sucralose, o ciclamato e o aspartame. A sacarina, um derivado do petróleo, é 400 vezes mais doce do que a sacarose (açúcar de mesa comum) e, por não ser metabolizada pelo organismo, é excretada sem alterações. Um dos inconvenientes desse adoçante é deixar um ligeiro gosto amargo na boca. O aspartame tem o pode de adoçar 100 a 200 vezes mais do que a sacarose. É produzido a partir dos aminoácidos ácido aspártico e fenilalanina, ligados por um éster de metila (metanol).  Quimicamente, o aspartame é o L-Aspartil--L-fenilalanina, metabolizado no trato gastrointestinal em  metanol (10%) e em 2 aminoácidos, o ácido aspártico (40%) e a fenilalanina (50%), por isso é contraindicado o seu uso para portadores de fenilcetonúria. A Sucralose é um adoçante artificial derivado da sacarose, é 600 vezes mais doce do que o açúcar e por isso bastam quantidades muito pequenas para adoçar os alimentos. Não é metabolizada pelo organismo. O ciclamato também é um derivado do petróleo, é aproximadamente 30-40 vezes mais doce que a sacarose.  É bom lembrar que todos os adoçantes  têm uma dose diária máxima recomendada ou ingestão diária aceitável (IDA), que não deve ser ultrapassada, e por isso devemos ficar atentos, visto que esses adoçantes ou edulcorantes estão também presentes em diversos alimentos industrializados.


Cabe lembrar ainda, que usar indiscriminadamente o adoçante não deve servir de desculpa para o consumo exagerado dos outros alimentos, já que o aporte energético não vem só dos açúcares (carboidratos), as gorduras ou lípides são também uma fonte importante. Talvez por isso, a industrialização de uma gordura artificial, com o mesmo sabor, mas com reduzidas calorias, tem sido o desejo de muitos que precisam ou querem perder peso. A companhia Procter & Gamble tentou colocar no mercado uma gordura artificial denominada olestra. Embora essa gordura tenha estrutura química similar à gordura comum, o nosso organismo não pode digeri-la, porque as enzimas responsáveis pela digestão das gorduras comuns não têm ação, devido ao tamanho e à forma da olestra. Portanto, ela passa pelo sistema digestório de forma inalterada e por isso não é calórica. A  Procter & Gamble conseguiu em 24 de janeiro de 1996 a aprovação do FDA (Food and Drug Administration-EUA), para que essa gordura artificial pudesse ser usada em lanches salgados como batatas chips e bolachas. Porém, foi constatado que essa gordura artificial podia causar diarreia, cólica e náuseas, em certas pessoas, e que esses efeitos aumentavam com a quantidade consumida. Além disso, ela inibia a absorção de vitaminas lipossolúveis  A, D, E e K. Todas essas reações adversas fizeram com que o produto caísse em desuso e, por enquanto, uma gordura não calórica só existe no imaginário de alguns. Uma reeducação alimentar é, portanto a melhor saída para quem precisa ou quer perder peso.
Autora: Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos
Referências:
Frederick A. Bettelheim, William H. Brown, Mary K. Campbell e Shawn O. Farrel.
Introdução À Bioquímica.  Editora Cengage Learning , 2012, São Paulo (página 740).
http://www.anvisa.gov.br/alimentos/informes/40_020609.htm
Imagem adoçante:
http://kilorias.band.uol.com.br/2012/09/pesquisa-mostra-que-adocantes-engordam-mais-que-acucar/