quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Amilina e incretina: novo tratamento de Diabetes melito tipo 1 ????

A prevalência mundial do diabetes melito (DM) tem aumentado em decorrência de diversos fatores, tais como, o crescimento populacional, a urbanização, o aumento da incidência da obesidade e do sedentarismo. Embora diversas pesquisas tenham sido realizadas com o objetivo de estudar a diabetes melito tipo 2 (DM2), comparativamente, pouca atenção tem sido dada a diabetes melito tipo 1 (DM1). Devido a DM1 ser uma doença auto-imune que leva à destruição das células pancreáticas produtoras de insulina (células beta), os portadores deste distúrbio metabólico necessitam de insulina para sobreviver. Vale salientar, que desde a descoberta da insulina por Banting e Best em 1921, ocorreram modificações tanto em sua produção quanto na administração. Aliado a esse fato, passaram a existir diversos tratamentos farmacológicos não insulínicos. Os agentes farmacológicos não insulínicos, de acordo com o mecanismo de ação, podem ser assim classificados: agentes sensibilizadores de insulina, moduladores da absorção de nutrientes no tratogastrointestinal, agentes imunoterápicos, terapias baseadas em incretinas e fator de crescimento semelhante à insulina humano recombinante (rhIGF-1 ). Atualmente, as drogas que atuam na modulação da absorção dos nutrientes no intestino, como amilina, têm sido utilizadas para equilibrar a glicemia. A amilina é um peptídeo com 37 aminoácidos, secretado durante o estado absortivo pelas células beta-pancreáticas, juntamente com a insulina. Pacientes com DM1 têm deficiência de amilina. Os efeitos deste peptídeo são: inibição do esvaziamento gástrico, da liberação do glucagon, da secreção de ácido gástrico e efeitos no sistema nervoso central de saciedade, o que leva à redução da ingestão alimentar e do peso. Estudo de revisão, realizado em 2010, sobre a eficácia e segurança do análago da amilina, demonstrou que quando comparado ao placebo, este fármaco foi um pouco mais eficaz na redução da glicação da hemoglobina e na redução de peso de pacientes com DM1, que faziam uso da terapia convencional com insulina, ou com DM2, que estavam com controle glicêmico inadequado e em tratamento farmacológico usual. Os análogos do pepetídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP1-Glucagon-Like Pepetides-1) e inibidores da Depeptil peptidase 4 (DPP4-Peptidil difenil-4) são as mais novas classes de medicamentos para o tratamento da diabetes tipo 2. A alimentação provoca a secreção de múltiplos hormônios gastrointestinais e entre eles estão as incretinas. O GLP1 é considerado a principal incretina, atua nas ilhotas pancreáticas tanto nas células-beta (estimulando a síntese de insulina) quanto nas células-alfa (inibindo a secreção de glucagon). Essa ação é dependente da glicemia, o que evita a hipoglicemia. Além disso, inibe o esvaziamento gástrico por meio de ação local e hipotalâmica e diminuiu o apetite. Estudos com animais revelaram que o GLP-1 também é capaz de promover expansão da massa de células-beta, inibir a apoptose destas células e estimular a diferenciação de células germinativas do epitélio ductal por meio da neogênese das ilhotas. Em humanos, os estudos demonstraram que essas ações proliferativas e antiapoptóticas podem contribuir para um papel protetor ou mesmo regenerativo sobre as células-beta. Portanto, essa incretina pode representar uma nova abordagem terapêutica para os pacientes com DM1, com ênfase na proteção e preservação das células beta.

Autora: Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos
Referências:

Garg V. Noninsulin pharmacological management of type 1 diabetes. J Endocrinol Metab. 2011 July; 15(Suppl1): S5–S11.
Lee NJ, Norris SL, Thakurta S. Efficacy and harms of the hypoglycemic agent pramlintide in diabetes mellitus. Ann Fam Med. 2010; 8:542–9.
Gabbay MAL. Adjuvantes no Tratamento da Hiperglicemia do Diabetes Melito Tipo 1 Arq Bras Endrocrinol Metab 2008; 52(2):279-287.
Imagem:
http://professorrobsoncosta.blogspot.com/2009/04/livro-online-diabetes-na-pratica.html

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