sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Profilaxia pré-exposição ao HIV – Informações sobre o Truvada


Esquema antirretroviral para a profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) 
   
O esquema recomendado para uso na PrEP é a combinação dos antirretrovirais fumarato de tenofovir desoproxila (TDF) e entricitabina (FTC), um comprimido ao dia, via oral, em uso contínuo, preferencialmente com alimentos.
   O comprimido também pode ser desintegrado em aproximadamente 100 mL de água, sumo de laranja ou sumo de uva e administrado imediatamente.
   Caso o paciente esqueça de tomar o medicamento em um período de até 12 horas, ele deverá ser administrado logo que for possível, e o esquema de administração habitual deverá ser retomado e se o esquecimento for em período acima de 12 horas, mas estiver no horário próximo à outra dose, a dose omitida não deverá ser administrada e o paciente deverá retomar ao esquema de administração habitual.


Ação do medicamento

      Estudos demonstraram que as farmacocinéticas do TDF e FTC variam de acordo com o tecido corporal e que possuem boa distribuição nos tecidos envolvidos na transmissão do HIV.
     Foi feita a administração de uma única dose oral de TDF e FTC, e nos 14 dias seguintes ambos foram medidos no plasma sanguíneo e nas secreções genitais. Os metabólitos ativos desses medicamentos (TFV-DP e FTC-DP) foram analisados a partir de preparações de tecidos retais, vaginais e cervicais. TFV e FTC foram detectados no plasma sanguíneo 14 dias após a administração da dose única. A área sob a curva de concentração-tempo de 24 horas a 14 dias (AUC1-14d) apresentaram os seguintes resultados: para o FTC, nas secreções genitais foi 27 vezes maior que no plasma sanguíneo e para o FV foi apenas 2,5 vezes maior nas secreções genitais que no plasma sanguíneo. No tecido retal, as concentrações de TFV e TFV-DP foram detectáveis por 14 dias e foram 100 vezes superiores às concentrações nos tecidos vaginal e cervical.   As concentrações de FTC nos tecidos vaginal e cervical foram 10 a 15 vezes maiores que no tecido retal. Apesar das altas concentrações de FTC no tecido vaginal e cervical, as concentrações de FTC-DP em todos os tipos de tecido foram detectadas por apenas 2 dias após a dose.
   Também foram feitos estudos com relação ao sêmen, e o resultado foi de que o TDF mantém uma taxa de AUC superior a 4 vezes a do plasma sanguíneo.


Possíveis reações adversas


  •  Nefrotoxicidade: a emtricitabina e o tenofovir são eliminados principalmente pelos rins por filtração glomerular e secreção tubular ativa. Têm sido notificados casos de insuficiência renal, compromisso renal, creatinina elevada, hipofosfatemia e tubulopatia proximal (incluindo síndrome de Fanconi) com a utilização de tenofovir disoproxil;
  • hepatotoxicidade: a farmacocinética do Truvada ou da entricitabina não foi estabelecida em indivíduos com insuficiência hepática; contudo, a entricitabina não é metabolizada significativamente pelas enzimas hepáticas, pelo que o impacto da insuficiência hepática deve ser limitado. O tratamento com Truvada deve ser suspenso em qualquer paciente ou indivíduo não infectado que desenvolva sinais clínicos ou laboratoriais de acidose láctica ou hepatotoxicidade pronunciada (que pode incluir hepatomegalia e esteatose, mesmo na ausência de elevações acentuadas de transaminases);
  • cefaleias e tonturas;
  •  diarreia;
  •  vômito e náuseas,
  •  dor abdominal e flatulência.
Geralmente são recomendados alguns medicamentos para evitar/tratar as possíveis reações mais leves.


Avaliação da nefrotoxicidade 
   A avaliação da taxa de filtração glomerular (função renal) é feita por meio da dosagem de creatinina sérica e do cálculo de clearence de creatinina estimado (ClCr), pois o uso do TDF pode levar à uma perda progressiva da função renal. A PreP não está indicada para indivíduos com ClCr ≤ 60 mL/min.

Avaliação da hepatoxicidade
 A avaliação da hepatoxidade é realizada mediante a determinação da concentração sanguínea das transaminases aspartato aminotransferase (AST) e alanina aminotransferase (ALT).


Autora: Giovanna Oliveira Favero.
Revisão: Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos.

Pharmacological considerations for tenofovir and emtricitabine to prevent HIV infection. Anderson PLKiser JJGardner EMRower JEMeditz AGrant RMhttps://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21118913

 Penetration of Tenofovir and Emtricitabine in Mucosal Tissues: Implications for Prevention of HIV-1 Transmission. Kristine B. Patterson, Heather A. Prince, Eric Kraft, Amanda J. JenkinsNicholaJ. ShaheenJames F. Rooney, M.  https://stm.sciencemag.org/content/3/112/112re4