sexta-feira, 6 de outubro de 2017

“ Zero-cal” na balança?

     

A vida.
Adoçar com açúcar ou adoçante?
...é, não adianta!
Nenhum desses adoçará bastante,
ficará sempre distante.
Esse doce, só se tem quando és amante,
das coisas da vida,
do sol ou da chuva abundante,
de uma folha seca,
até um diamante.”
Marco Paschoal

    A preocupação e o cuidado com a saúde tornaram-se evidentes na vida das pessoas na atualidade. As dietas, tendo como base mudança para a de alimentos mais saudáveis, são grandes passos para a melhoria da qualidade de vida e do bem estar. A tecnologia colabora nesse processo lançando no mercado produtos que possam auxiliar na saúde das pessoas, principalmente aquelas que detêm doenças crônicas como o diabetes. Então, indo nessa direção, as indústrias passaram a ofertar para o mercado consumidor uma grande quantidade de opções de adoçantes (edulcorantes), que podem ser naturais ou artificiais.   
    O uso de adoçantes artificiais (principalmente no Brasil) tais como a sacarina e o ciclamato vem crescendo nos últimos tempos. No entanto, a ingestão indiscriminada de adoçantes e a pouca informação sobre seu uso racional vem dando margem para um consumo maior de alimentos e muito mais calorias. Certamente, tanto os diabéticos quanto pessoas que desejam perder ou manter o peso foram beneficiadas pelo uso de adoçantes, pois conseguiram reduzir o numero de calorias ingeridas por dia. Porém, o problema está na falsa impressão de que os alimentos que não contem açúcar podem ser consumidos livremente. Ao comer e beber alimento que possuem adoçantes de forma exagerada, podemos estar nos condicionando a não computar as calorias ingeridas, e com isso, engordando mais. Não esquecer que o adoçante pode não ser calórico, mas o alimento ainda continua sendo. 
    Devido a esse uso indiscriminado, pesquisas sobre os benefícios e riscos do uso de adoçantes vêm sendo realizadas. Um grande exemplo disso são estudos sobre a sacrulose, um dos adoçantes artificiais mais utilizados para fins industrial e pessoal. Inicialmente, foi considerada segura para o uso, mas resultados recentes apontam sobre o potencial que sua estrutura tem de gerar compostos tóxicos quando aquecidos, ou seja, ao serem utilizados em sobremesas quentes, como chás, cafés, bolos e tortas.
    Dados observacionais de algumas pesquisas no exterior sugerem que o consumo rotineiro de edulcorantes não nutritivos pode estar associado a um aumento ao longo prazo do índice de massa corporal (IMC) e risco elevado de doença cardiometabólica.
    Pesquisas também relatam que a sacarina pode alterar a microbiota intestinal e induzir intolerância à glicose, levantando questões sobre a contribuição dos adoçantes artificiais para a epidemia global de obesidade e diabetes.
Segue abaixo alguns exemplos dos adoçantes mais utilizados e a sugestão de ingestão máxima por dia:   
Nome do
Edulcorante
Poder Adoçante
Ingestão
Máxima/dia
(mg/kg de peso
corporal)
Acessulfame K
200 vezes maior
que a sacarose
(açúcar)
9 a 15 mg/kg
Aspartame
200 vezes maior
que a sacarose
(açúcar)
40 mg/kg
Ciclamato
40 vezes maior
que o açúcar
11 mg/kg
Sacarina
300 vezes maior
que o açúcar
5 mg/kg
Stévia
300 vezes maior
que o açúcar
5,5 mg/kg
Frutose
170 vezes maior
que o açúcar
Não estabelecida
Lactose
0,15 vezes
maior que o
açúcar
Não estabelecida
Manitol
0,45 vezes
menor que o
açúcar
50 a 150 mg/kg
Sorbitol
0,5 vezes
menor que o
açúcar
Não estabelecida
Xilitol

Não estabelecida
Sucralose
600 a 800
vezes maior
que o açúcar
15 mg/kg
Maltodextrina
1,5 vez
maior que o
açúcar
Não estabelecida
     Mesmo diante de algumas comprovações, ainda há necessidade de novos estudos sobre o assunto para comparar diferentes tipos, formulações, avaliar efeitos, riscos e benefícios para a saúde do ser humano na substituição do açúcar por adoçantes artificiais. Vale ressaltar que devemos ficar atento aos rótulos: verificar se tem ou não calorias e quais os componentes da formulação. Alguns são ditos naturais, mas para melhorar o sabor são misturados com os artificiais e podem conter sódio (que deve ser consumido com cautela por hipertensos).

Autor:  Jéssica Caroline Lopes
Revisão: Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos
Fontes consultadas:
1. Bernadene A. Magnuson ,Ashley Roberts  Earle R. Nestmann. Critical review of the current literature on the safety of sucralose.2017;1-32
2. Ellen Simone Paiva. Adoçantes artificiais: novos limites, novas substâncias e benefícios ao nosso alcance. Food Ingredients Brasil. No 5 – 2008.
3. Meghan B. Azad PhD. Nonnutritive sweeteners and cardiometabolic health: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials and prospective cohort studies.2017;1-11.
4. Silvio Anunciação. Pesquisa alerta para adição de sucralose em alimentos quentes. http://www.unicamp.br/unicamp/sites/default/files/jornal/paginas/ju_651_paginacor_03_web.pdf
5. Xiaoming Bian; Liang Chi; Bei Gao; Pengcheng Tu; Hongyu Ru; Kun Lu. The artificial sweetener acesulfame potassium affects the gut microbiome and body weight gain in CD-1 mice. PLOS ONE https://doi.org/10.1371/journal.pone.0178426 June 8, 2017.
6.Quadro: http://www.inmetro.gov.br/consumidor/produtos/adocantes.pdf
7. Poesia.: https://www.pensador.com/frase/MTE0NTI1OA/