O
que significa essa doença
O Acidente Vascular Cerebral (AVC), de acordo
com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma disfunção neurológica aguda, de origem vascular, seguida da ocorrência súbita ou rápida de sinais e
sintomas, relacionados ao comprometimento
de áreas focais no cérebro.
Como e porque ocorre o AVC
O tecido nervoso
utiliza principalmente o metabolismo aeróbico dos carboidratos, ou seja,
utiliza o catabolismo da glicose, na presença
de oxigênio, como fonte de energia. Porém, depende da circulação sanguínea para assegurar um contínuo aporte de oxigênio
e glicose e, assim, garantir a manutenção da viabilidade das células nervosas. Logo,
a interrupção do fluxo sanguíneo numa
determinada área do cérebro tem por consequência
uma diminuição da atividade funcional dessa área. Se a interrupção do fluxo
sanguíneo for inferior a 3 minutos, a alteração é reversível, se ultrapassar 3
minutos, a alteração funcional poderá ser irreversível, originando necrose no
tecido nervoso. Portanto, o cérebro é capaz de suportar apenas períodos
muito curtos de isquemia.
Nem todo AVC é igual
Basicamente, existem dois tipos de AVC o
denominado AVC Isquêmico que é
causado pela falta de irrigação sanguínea em uma área do cérebro, em
decorrência da obstrução arterial devido a trombose local ou embolia.
Esse tipo de AVC corresponde
a 80% dos casos e pode manifestar-se por um quadro neurológico que regride em
menos de 24 horas ou não regride, e que pode resultar em sequelas ou em óbito.
O outro, é o AVC Hemorrágico, provocado
pela ruptura de vasos intra-cerebrais, formação de hematoma, isquemia regional
e compressão do cérebro. Pode ocorrer para dentro do cérebro ou tronco cerebral
(acidente vascular hemorrágico intraparenquimatoso) ou para dentro das meninges
(hemorragia subaracnóidea). A hemorragia intraparenquimatosa é o subtipo mais
comum, acometendo cerca de 15% de todos os casos de AVC. Pode ocorrer como
consequência de doenças tais como a hipertensão
arterial sistêmica (pressão alta) ou a angiopatia amiloide cerebral.
A sintomatologia pode ser variada, depende da área do cérebro que foi afetada.
Entre os diversos sinais ou sintomas estão a dormência e o formigamento que,
com frequência, acometem apenas um lado do corpo, déficit de força, incapacidade de articular as palavras corretamente (disartria),
incapacitadas para compreender ou exprimir as palavras (afasia), tontura,
vertigem, cefaleia, vômitos, visão dupla ou perda do campo visual, falta de
coordenação motora, tontura e até mesmo a perda da consciência ou crises
convulsivas.
Como
o AVC é diagnosticado
O
diagnóstico é feito com base nos sinais
e sintomas apresentados e nos resultados de exames de imagens, tais como a tomografia computadorizada e a
ressonância magnética do encéfalo, ultra-sonografia das artérias vertebrais e
das carótidas e a angiografia. Estes
exames demonstram a localização bem como o tamanho da hemorragia e da área
isquêmica.
Como é tratada
O
tratamento pode ser cirúrgico ou clínico, dependendo do
volume da lesão, da localização e da condição clínica do paciente. O tratamento
cirúrgico visa retirar o sangue de dentro do cérebro. O tratamento clínico tem
o objetivo de controlar a pressão arterial
e as complicações como as crises convulsivas e as infecções. A
reabilitação é iniciada no momento em que a condição do paciente permite.
Conhecendo os riscos
Os fatores de risco para
ambos os tipos de AVC se dividem em não modificáveis e modificáveis. Fazem
parte dos não modificáveis o histórico
familiar, ou seja história familiar de doenças cardíacas e diabetes melito; a
idade, a chance de AVC duplica após os 55 anos de idade; o gênero, a incidência
é muito maior em homens do que em mulheres; a etnia, há maior incidência em
negros. São considerados fatores de risco modificáveis
o tabagismo, o uso de contraceptivos orais, o uso abusivo de álcool, a
aterosclerose, a hipertensão arterial sistêmica, as dislipidemias, o diabetes
melito e o sedentarismo.
Já que
conhecemos os riscos e podemos diminui-los, como forma de prevenção contra o desenvolvimento
da doença, então se trata mesmo de um ACIDENTE
que ocorre nos vasos cerebrais? ???
Autores
Isabella Monteiro
Karina Piatto
Laura Favaro
Valéria Aranha
Revisão:
Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos
Referências
CHAVES, M. L. F., et. al; Rotinas em neurologia e neurocirurgia. AVC
isquêmico, v. 1, cap. 8, p. 97 - 99,
2008.Isabella Monteiro
Karina Piatto
Laura Favaro
Valéria Aranha
Revisão:
Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos
Referências
AVC hemorrágico, acessado em: <http://www.einstein.br/einstein-saude/doencas/Paginas/tudo-sobre-acidente-vascular-cerebral-hemorragico.aspx>
JOAQUIM, A. F.et. al.; Acidente vascular cerebral isquêmico. Editora Moreira Jr.
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CHAVES, M. L. F.; Acidente vascular encefálico: conceituação e fatores de risco. Revista
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World
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Stroke, Cerebrovascular accident,
acessado em:
<http://www.who.int/topics/cerebrovascular_accident/en/> Imagem
http://pt.clipartlogo.com/premium/detail/broken-mind_76451773.html
