terça-feira, 17 de setembro de 2013

O Acidente Vascular Cerebral ... Doença acidental? Imprevisível ??





O que significa essa doença
O Acidente Vascular Cerebral (AVC), de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma disfunção neurológica aguda, de origem vascular, seguida da ocorrência súbita ou rápida de sinais e sintomas, relacionados ao comprometimento de áreas focais no cérebro.
Como e porque ocorre o AVC
O tecido nervoso utiliza principalmente o metabolismo aeróbico dos carboidratos, ou seja, utiliza o catabolismo da glicose, na presença de oxigênio, como fonte de energia. Porém, depende da circulação sanguínea para assegurar um contínuo aporte de oxigênio e glicose e, assim, garantir a manutenção da viabilidade das células nervosas. Logo, a interrupção do fluxo sanguíneo numa determinada área do cérebro tem por consequência uma diminuição da atividade funcional dessa área. Se a interrupção do fluxo sanguíneo for inferior a 3 minutos, a alteração é reversível, se ultrapassar 3 minutos, a alteração funcional poderá ser irreversível, originando necrose no tecido nervoso. Portanto, o cérebro é capaz de suportar apenas períodos muito curtos de isquemia.
Nem todo AVC é igual
Basicamente, existem dois tipos de AVC o denominado AVC Isquêmico que é causado pela falta de irrigação sanguínea em uma área do cérebro, em decorrência da obstrução arterial devido a trombose local ou embolia. Esse tipo de AVC corresponde a 80% dos casos e pode manifestar-se por um quadro neurológico que regride em menos de 24 horas ou não regride, e que pode resultar em sequelas ou em óbito. O outro, é o AVC Hemorrágico, provocado pela ruptura de vasos intra-cerebrais, formação de hematoma, isquemia regional e compressão do cérebro. Pode ocorrer para dentro do cérebro ou tronco cerebral (acidente vascular hemorrágico intraparenquimatoso) ou para dentro das meninges (hemorragia subaracnóidea). A hemorragia intraparenquimatosa é o subtipo mais comum, acometendo cerca de 15% de todos os casos de AVC. Pode ocorrer como consequência de doenças tais como a hipertensão arterial sistêmica (pressão alta) ou a angiopatia amiloide cerebral.
 Uma variabilidade de sinais e sintomas
A sintomatologia pode ser variada, depende da área do cérebro que foi afetada. Entre os diversos sinais ou sintomas estão a dormência e o formigamento que, com frequência, acometem apenas um lado do corpo, déficit de força, incapacidade de articular as palavras corretamente (disartria), incapacitadas para compreender ou exprimir as palavras (afasia), tontura, vertigem, cefaleia, vômitos, visão dupla ou perda do campo visual, falta de coordenação motora, tontura e até mesmo a perda da consciência ou crises convulsivas.
Como o AVC é diagnosticado
 
O diagnóstico é feito com base nos sinais e sintomas apresentados e nos resultados de exames de imagens, tais como a tomografia computadorizada e a ressonância magnética do encéfalo, ultra-sonografia das artérias vertebrais e das carótidas e a angiografia. Estes exames demonstram a localização bem como o tamanho da hemorragia e da área isquêmica.
Como é tratada
O tratamento pode ser cirúrgico ou clínico, dependendo do volume da lesão, da localização e da condição clínica do paciente. O tratamento cirúrgico visa retirar o sangue de dentro do cérebro. O tratamento clínico tem o objetivo de controlar a pressão arterial  e as complicações como as crises convulsivas e as infecções. A reabilitação é iniciada no momento em que a condição do paciente permite.
Conhecendo os riscos
 
Os fatores de risco para ambos os tipos de AVC se dividem em não modificáveis e modificáveis. Fazem parte dos não modificáveis o histórico familiar, ou seja história familiar de doenças cardíacas e diabetes melito; a idade, a chance de AVC duplica após os 55 anos de idade; o gênero, a incidência é muito maior em homens do que em mulheres; a etnia, há maior incidência em negros. São considerados fatores de risco modificáveis o tabagismo, o uso de contraceptivos orais, o uso abusivo de álcool, a aterosclerose, a hipertensão arterial sistêmica, as dislipidemias, o diabetes melito e o sedentarismo.
 Doença Imprevisível ??
 
Já que conhecemos os riscos e podemos diminui-los, como forma de prevenção contra o desenvolvimento da doença, então se trata mesmo de um ACIDENTE que ocorre nos vasos cerebrais? ???

Autores

Isabella Monteiro
Karina Piatto
Laura Favaro
Valéria Aranha

Revisão:
Edilma Maria de Albuquerque Vasconcelos
Referências
CHAVES, M. L. F., et. al; Rotinas em neurologia e neurocirurgia. AVC isquêmico, v. 1, cap. 8, p. 97 -  99, 2008.

AVC hemorrágico, acessado em:  <http://www.einstein.br/einstein-saude/doencas/Paginas/tudo-sobre-acidente-vascular-cerebral-hemorragico.aspx>

JOAQUIM, A. F.et. al.; Acidente vascular cerebral isquêmico. Editora Moreira Jr.

ANDRADE, L.M., et al.; A problemática do cuidador familiar do portador de acidente vascular cerebral. Rev Esc Enferm USP. ;43(1):37-43, 2009.

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RIBEIRO, José Márcio; Prevenção secundário do acidente vascular encefálico. Revista Brasileira de Hipertensão, v. 10, p. 142-144, abril/junho, 2003.

CHAVES, M. L. F.; Acidente vascular encefálico: conceituação e fatores de risco. Revista Brasileira de Hipertensão, v. 4, p. 372-382, 2000.
World Health Organization (WHO). Cerebrovascular disorders. Geneva: WHO; 1978.

Stroke, Cerebrovascular accident, acessado em:
<http://www.who.int/topics/cerebrovascular_accident/en/>

Imagem
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